"Sou como você me vê... Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar!" (Clarice Lispector)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Luz Negra

Perdida hoje na net fuçando algumas coisas encontrei essa música, que letra profunda... Houve identificação na hora...

Sempre só
Eu vivo procurando alguém
Que sofre como eu também
E não consigo achar ninguém

Sempre só
E a vida vai seguindo assim
Não tenho quem tem dó de mim
Estou chegando ao fim

A luz negra de um destino cruel
Ilumina um teatro sem cor
Onde estou desempenhando o papel
De palhaço do amor

Nelson Cavaquinho

2011 - Metas (Fudeu!)

Bom, deveria fazer esse texto lá pelo dia 31 de Dezembro, mas vai que a preguiça impregna na minha vida e não escrevo né?? É dificil traçar metas, muitas vezes a gente acaba se perdendo e não faz nada daquilo que planejou, mas é bom planejar, sonhar, viver... E eu sonho, viajo que nem o Doug e vivo também...
Enfim, quero ler mais ano que vem, ser mais organizada com as minhas apostilas e trabalhos da faculdade para que possa ter tempo para sair mais e ver mais meus amigos e esse mundo que me cerca. Quero ser melhor no meu trabalho, com os alunos e com os funcionarios, quero conhecer mais pessoas (mesmo sendo meio esquiva), ah, eu quero namorar... Melhor, eu quero casar... Tô jogando para o universo, vamos ver se aparece alguma alma parecida comigo nesse mundo, a gente pode ficar triste, mas desistir jamais!! Se ele tiver as caracteristica que sempre peço, melhor ainda... heheheheheheh Quero juntar dinheiro para fazer uma grande viagem, quero ver os shows que estou me programando para ver e realizar meu sonho de quando tinha 15 anos, de ver o U2 aqui no Brasil né?? Afinal eu mereço!!!
Quero ter força para enfrentar qualquer adversidade que venha e força para enfrentar a felicidade, quando ela vier, virá com tanta força que não caberei em mim... O God!!! É isso aí, nada demais... As coisas vão mudando e vão se construindo...

But I still haven't found what I'm looking for...

2010 - Um Balanço

Pois é, mais um ano chega ao fim, eu consegui manter esse blog durante o ano todo, mesmo que tenha escrito muito pouco, o que não é muito bom, conseguir escrever era uma das minhas metas e acho que rolou, quanto mais a gente escreve melhor vai ficando...
Aconteceram muitas coisas durante esse ano, como sempre tenho falado, meus últimos três anos tem sido anos maravilhosos, claro que fiquei triste, que chorei, que aconteceram coisas tristes, mas tudo seguindo seu rumo da melhor forma possível. Não só comigo mas com meus amigos lindos também, tanto os que estão longe quanto os que estão perto.
Meus olhos brilharam muito durante esse ano, vi poeira passar na minha frente e fiquei bestificada, feito boba parada olhando o horizonte, acho que encontrei um satélite perdido nesse mundo, tudo muito estranho, tudo está muito suspenso. Vi dentro de almas o mais puro dos sentimentos que as pessoas podem ter, mostrei mais ainda a minha alma que é meio remendada mas dá para o gasto, conheci pessoas maravilhosas, continuei cultivando meus amigos lindos que já conhecia e agora todos estão junto dentro do mesmo barril, do chaves, é claro... Como o mundo é uma mixirica e as pessoas se encontram, estamos aí nesse mundão de meu Deus!!
Não li todos os livros que queria ter lido, muito menos os filmes que queria ter visto... Uma pena, mas trabalhar é preciso para quem não é filho do Bill Gates, eu ia falar do Silvio Santos mas ele tá falido, então se eu fosse filha dele ia ter que trabalhar... rs
Também foi o ano em que realizei um dos meus maiores sonhos, que é fazer a faculdade de história, poxa, muito bom, melhor do que esperava, as pessoas, os professores, as matérias... Tudinho, tudinho...
Eu ri, eu chorei, eu fui inconstante, eu fui feliz, eu fui triste, eu fui eu e várias pessoas ao mesmo tempo agora, logo, tudo muito bom...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A Hora da Estrela

Reli mais uma vez uma das obras que mais amo na vida! E não tem como não ficar grávida de Macabéia... Meu pai, que livro lindo, todos os paragrafos são perfeitos, cheio de mensagens sobre nós mesmos, sobre nossos anseios, sobre nossos medos... Todos nós temos Rodrigos e Macabéias dentro da gente, só que nunca conseguimos identificar nossos próprios anseios... Demorei mais de um mês para reler essa obra, além de prestar atenção minunciosamente em todos os paragrafos eu não queria sentir a perda de quando se termina um livro. Eu nunca mais sou a mesma quando termino um livro, na maior parte do tempo eles me deixam um pouco deles, algo fica em minha alma e lá fica grudado eternamente. Com A Hora da Estrela não poderia ser diferente. A angustia do autor personagem, a angustia da vida de Macabéia me deixam doidinha... E Clarice, sempre Clarice, sempre cheio dela, sempre cheia de inquietações, de dissoluções, desconstruções e reconstruções... Linda! Perfeita! Meu peito dói em pensar que terminei o livro, em que agora ele está ali paradinho, longe de mim mas dentro de mim. Amo quando tenho essas sensações...
O livro conta a história de Macabéia, nordestina, datilografa que namora um metalurgico, cabra macho, que vive dizendo que ela só sabia era chover... Esses dias tive meu momento de só saber chover... Saí do trabalho e peguei chuva, fui para a faculdade e peguei chuva, quando desci do ônibus também é claro, quando estava chegando em casa a noite, chuva novamente... É, a Giz só sabia chover naquele dia... rs Macabéia tinha uma "amiga", Glória, que sempre lhe dava conselhos e que no fim lhe dá um bote, afinal, a cartomante quem disse... Não posso contar o motivo do bote, seria spoiler e eu odeio spoiler... A maior parte da trama se passa num conflito do autor personagem, Rodrigo, aqui temos ums discussão acerca do que é ser um autor e ao mesmo tempo uma análise do ser humano. Macabéia é nordestina, foi criada por uma tia a moda antiga, tinha medo e vergonha de uma porção de coisas, gostava de cachorro quente e coca-cola...
Foi a ultima obra que Clarice escreveu em vida, o livro foi publicado em 1977, meses após sua morte. Ela fala sobre o livro em sua única reportagem gravada para a TV, o livro tem 13 títulos, que são encontrados assim que abrimos o livro, o engraçado é que todos eles caberiam e são encontrados dentro do texto. A Hora da Estrela é bem marcante, a hora da estrela é a hora de sua morte...

"Esse eu que é vós pois não aguento ser apenas eu, preciso dos outros para me manter em pé, tão tonto que sou, eu enviesado, enfim que é que será de fazer senão meditar para cair naquele vazio pleno que só se atinge com a medtitação."

"E - e não esquecer que a estrutura do átomo não é vista mas sabe-se dela. sei de muita coisa que não vi. E vós também. Não se pode dar uma prova da existência do que é mais verdadeiro, o jeito é acreditar. Acreditar chorando."

"Como começar pelo início se as coisas acontecem antes de acontecer?"

"Pensar é um fato, sentir é um fato."

"A verdade é sempre um contatop interior e inexplicável."

"Quem se indaga é incompleto."

"Quem já não se perguntou: sou um monstro ou isso é ser uma pessoa?"

"Cada dia é um dia roubado da morte."

"Sim minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite."

"E quero acreditar minha liberdade sem pensar o que muitos acham: que existir é coisa de doido, caso de loucura. Porque parece. Existir não é lógico."

"Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."

Essas são algumas das frases que mais me chamaram atenção... Profundas, dá panos e panos para mangas e mangas... Vivo analisando esse livro... Parece que nunca terá fim...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Orgulho e Preconceito

Estava aqui vendo alguns clipes no youtube e acabei caindo em vídeos do filme Orgulho e Preconceito, que é além de um dos filmes mais belos que já vi, um dos livros mais magnificos que já li na vida. Claro que lembrei a célebre frase da Andréa, que eu gosto de literatura moderna mas sou uma romântica inveterada, é claro que isso procede, às vezes viajo que nem o Doug, só que não pela Patty Maionese, viajo sonhando com Mr Darcy, com alguém como ele... Enfim, às vezes acho que nunca vou ccrescer, que sempre vou achar que vai chegar um príncipe encantado na minha vida, só que ele vem mudando com o passar do tempo, antigamente eu queria que ele viesse de Harley e com uma guitarra nas costas, hoje já acho que ele tem que vir com um livro debaixo do braço... Mas o sonho continua o mesmo. É claro que tenho noção que príncipes não existem, que, no máximo existem sapos tortos perdidos por aí, mas gosto tanto de sonhar, de me sentir essas heroínas que estão dentro dos roamances, principalmente as da Jane Austen, adoro sua forma de escrever, seus personagens, os enredos... É óbvio né??
Meu Deus, estou escrevendo e vendo cenas do filme, Jesus, se alguém me olhar como o Mr Darcy olha a Elizabeth eu morro!!! Isso só pode ser coisa de filme mesmo... Estou morrendo só de ver... rs Só eu para ter esses espasmos literários, esses amores impossíveis, esses sonhos esquisitos... Me apaixonar por personagens, por sonhos... Mas acredito ser bom ser assim, senão as coisas passam a ficar pesadas demais, tristes demais e a gente passa pela vida enxergando-a da maneira mais cinza possível. E eu gosto de ver cores até quando as coisas estão um tanto quanto nubladas...
Às vezes me defino como um paradoxo, algumas vezes até como a própria dialética, sou tudo assim ao mesmo tempo agora e nada ao mesmo tempo agora. Hoje já me senti feliz, triste, já chorei, agora sinto uma esperança tamanha dentro do meu peito. Que estranho não? Não não é estranho, acho que todos os seres humanos são assim, só que vestem máscaras muitas vezes para si mesmos e é mais fácil não ser um ser complexo do que ser um ser simples.
Enfim, eu só queria falar do livro e do filme e acabei misturando tudo, como sempre. Acho que vou ter que reler esse livro durante as férias... Daí ele, com certeza, vai ganhar um outro espacinho por aqui... heheheheheheheheheheh

Elvis Costello - She ( Soundtrack to Notting Hill, 1999 )

R.E.M. - Losing My Religion [drums and bass] video original HQ

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Freud Além da Alma

A ciência não é uma ilusão, mas seria uma ilusão acreditar que poderemos encontrar noutro lugar o que ela não pode dar.”Freud

O filme “Freud Além da Alma” tenta elencar fatos da vida de Freud com sua teoria psicanalítica. Ele faz um recorte em 5 anos de sua vida, mostrando como se deu o processo de estudo da psicanálise, os preconceitos sofridos, a hipnose e o famoso caso de Ana O., de onde surgiu todo o seu trabalho. Claro que o filme coloca em tão pouco tempo o que aconteceu em décadas em função do tempo de filmagem e também para que ele pudesse ter um enredo coerente e pouco cansativo.
A película conta com uma série de metáforas, dentre elas, a cena do sonho de Freud em que ele está amarrado numa corda dentro de uma caverna e essa corda está ligada à sua mãe, aqui, talvez, tenhamos a questão do Complexo de Édipo, já que ele demonstra um amor muito grande por sua mãe, no entanto que ele acredita ter sua irmã sido abusada por seu pai e depois ele acabou percebendo que não, que era uma fantasia de sua cabeça, já que sua irmã não havia nascido na época em que ele achava que esses abusos tinham acontecido, revelando que era nessa época em que ele estava passando pelo estágio, depois chamado, de Complexo de Édipo, em que a criança agarra-se fortemente a figura da mãe, enquanto menino e a figura do pai, enquanto menina.
No sonho, além da questão do Complexo, podemos ver a construção do pensamento sobre o que significam os sonhos e também que o nosso cérebro funciona mesmo quando estamos dormindo e que os sonhos são, além de desejos do inconsciente, também o fato do cérebro precisar de um tempo para se reorganizar, organizar as ideias para que a pessoa possa estar bem disposta no dia seguinte. Os sonhos são os nossos pensamentos e experiências vividos durante o dia e reorganizados durante o sono. Depois do sonho, Freud passa a conversar consigo, tentando colocar as ideias no lugar, o que temos aqui, depois denominado de método catártico. E ele acaba usando seu próprio método em si mesmo, pois, quando seu pai morre, Freud não consegue entrar dentro do cemitério, quando chega na frente do mesmo, ele desmaia. Aqui ele passa a ver que há algo de errado em sua mente e percebe que pode ser algo de origem sexual, o que Breuer desaprova. O filme termina com a superação dele diante do problema com seu pai, já que ele consegue entrar no cemitério e ir até o tumulo de seu pai sem sofrer nenhum desmaio.
Não só pela questão do sonho que ele estuda sua teoria. Ele também começa a fazer ligações sobre o Complexo ao cuidar do personagem Carl, que tentou assassinar seu pai e, com a hipnose, Freud descobriu que o menino queria matar seu pai para ter o amor de sua mãe. Com seus próprios preconceitos, Freud decide largar o caso, mas depois de seus sonhos, ele volta a procurar o paciente, mas ele já se encontrava morto. A partir daí ele liga o caso de Carl com o de Cecily.
Freud começou a rever seus estudos quando foi a Paris ver o trabalho de Charcot, que hipnotizava pessoas com histeria para ver as causas.
Tendo em vista que ele viveu numa sociedade completamente cartesiana, sua teoria causou estranhamento e preconceito. O filme mostra o que Freud sofreu perante os estudiosos da época quando demonstrou seus estudos sobre o histerismo e também quando falou sobre a sexualidade infantil e o Complexo Edipiano. Sendo que, quando falou sobre a histeria, teve o apoio incondicional de Breuer, começando a realizar diversos estudos com ele, já que Breuer utilizava de hipnose para o tratamento de seus pacientes, aqui, Freud descobria a questão do inconsciente e que apagamos determinadas coisas de nossa mente para não nos machucarmos mais, mas que essas coisas que guardamos podem causar doenças, como o que acontece com Cecily e outros pacientes deles. E quando Freud foi falar sobre a questão edipiana, até Breuer lhe virou as costas e todos presentes o repudiaram. Podemos imaginar o quanto de preconceito que ele sofreu com sua teoria que revolucionaria o mundo psicológico, pois, além da psicologia, sua psicanálise influenciou e influencia diversas áreas do saber como a literatura e a história, por exemplo.
Sua explicação sobre o Complexo de Édipo foi realmente muito bem feita, pois, podemos entender exatamente o que ela nos revela e como o processo se dá, talvez a compreensão seja muito mais fácil pelo filme do que por muitos livros que lemos por aí. O filme consegue demonstrar bem a teoria freudiana, mas é preciso ter em mente que as coisas não aconteceram daquela forma e que o filme usa de licença poética para realizar seu enredo. O que não deixa de ser uma ótima ferramenta para ilustrar a vida e a obra de Freud.

Sobre o Vídeo Abaixo

Nossa, estava aqui, tristinha, solitária e fui ver vídeos no youtube... Bem programa de quem não vai para a faculdade em plena segunda a tarde...é uma beleza... Daí lembrei dessa música, que nem veio em mente do nada e não é que continha uma msg subliminar nela??? Que coisa não??? hehehehehhee

Morrissey -The More You Ignore Me, The Closer I Get







Morrissey - Suedehead

Uma das músicas mais bonitas que já ouvi na vida... Algumas vezes ela fez muito sentido...

Pearl Jam - Wishlist - SVT

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Pessoa Estranha

TPM é um negócio de outro mundo... Acho que na IDade média ela era vista como um demônio possuindo o corpo de uma mulher... rs A minha está chegando, estou ficando um pouco mais sensível, mais tristonha, um vazio, uma solidão sem fim... Hoje fui ver minhas amigas, pena que não estavamos todas juntas, foi muito bom, é bom ter amigos e ter uma vida de volta... Sempre agradeço por tudo o que tenho, porque já tive o mínimo que alguém pode ter... Quando penso no que passei sinto até um frio arrepiante na "espinha". Quando cheguei em casa meu irmão tinha comprado o "A Hora da estrela" da Clarice Lispector, nem preciso dizer que meus olhos encheram de água quando vi o livro, acho uma das mais belas histórias de ficção que já li na vida, sempre que releio a sinto como se fosse a primeira vez... Acho que tenho algo macabéico dentro de mim... Claro que fui ler o fim dele, fui ler sua ida para a felicidade de encontro com seu Mercedes e a morte de Rodrigo, Macabéia tão cheia de vida tão cheia de tudo, mais cheia do que nós, ela vê as coisas de forma diferente... Tudo tão simplório mas tão lindo... Para piorar entrei no msn e minha amiga estava ouvindo "Sorry To Myself" da Alanis, pronto, já comecei a viajar loucamente em tudo o que tem me acontecido nos últimos 3 anos da minha vida... Como as coisas mudaram, não sei se eu mudei ou se eu voltei a ser eu mesma, tudo tão leve, tão mais forte e mais intenso, tudo tão mais livre e tão mais duro... Mas sendo eu, como eu... É bom a gente saber quem a gente é, como a gente quer, ter pessoas maravilhosas do lado... Ai que coisa estranha... Acho muito legal essa mudança toda... Agora estou ouvindo a música que coloquei abaixo, muito tudo a ver com o que sinto agora... Acho que uma grande mudança está para acontecer, mas não sei dizer de onde ela virá e nem se alguém irá trazê-la. Estou na espectativa de mim mesma. Normal. Vamos que vamos.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Músicas grudadas no meu cerebelo...

Brincar de Viver

Maria Bethânia
Composição: Guilherme Arantes

Quem me chamou
Quem vai querer voltar pro ninho
E redescobrir seu lugar
Pra retornar

E enfrentar o dia-a-dia
Reaprender a sonhar
Você verá que é mesmo assim, que a história não tem fim
Continua sempre que você responde sim à sua imaginação
A arte de sorrir cada vez que o mundo diz não
Você verá que a emoção começa agora
Agora é brincar de viver
E não esquecer, ninguém é o centro do universo
Que assim é maior o prazer

Você verá que é mesmo assim, que a história não tem fim
Continua sempre que você responde sim à sua imaginação
A arte de sorrir cada vez que o mundo diz não

E eu desejo amar todos que eu cruzar pelo meu caminho
Como eu sou feliz, eu quero ver feliz
Quem andar comigo, vem
Lá - lá - lá- lá - lá...

Você verá que é mesmo assim, que a história não tem fim
Continua sempre que você responde sim à sua imaginação
A arte de sorrir cada vez que o mundo diz não.

Lá - lá - lá- lá - lá...

sábado, 23 de outubro de 2010

Tédio (Com Um T Bem Grande Pra Você)

Legião Urbana

Moramos na cidade, também o presidente

E todos vão fingindo viver decentemente
Só que eu não pretendo ser tão decadente não

Tédio com um T bem grande pra você

Andar a pé na chuva, às vezes eu me amarro
Não tenho gasolina, também não tenho carro
Também não tenho nada de interessante pra fazer

Tédio com um T bem grande pra você

Se eu não faço nada, não fico satisfeito
Eu durmo o dia inteiro e aí não é direito
Porque quando escurece, só estou a fim de aprontar

Tédio com um T bem grande pra você

domingo, 17 de outubro de 2010

Transitoriedade Dentro de Nós Mesmos

Vivemos num mundo em que as coisas acontecem rápido demais, sempre é tudo ao mesmo tempo agora, tão ao mesmo tempo agora que as próprias pessoas ao mesmo tempo agora se tornam calmas perto do tempo. Estamos na sociedade do consumo, tudo é para ser consumido, desde nossos sentimentos até nossa própria comida. E muitas vezes ficamos perdidos no meio de tanta coisa. A Pitty tem uma música que ilustra bem isso, que é a Admirável Chip Novo, esse título é uma alusão ao livro de Huxley intitulado Admirável mundo novo que vem de mais longe ainda, essa frase encontra-se na peça A Tempestade de William Shakespeare. Enfim, na letra ela fala sobre termos olhos de robô, já que somos guiados por uma visão superior a nossa, nosso pensamento nunca está isento do que temos lá fora, seja qual pensamento for. Existe um provérbio árabe que diz que "o homem se parece mais com seu tempo do que com seus pais", e isso é condizente, às vezes achamos que somos descolados, que acreditamos no que é certo, mas também somos condicionados a pensar de determinada forma, é como se tudo fosse irreal. Eu sempre lembro do livro 1984, uma hora uma coisa é o certo, outra hora é outra coisa. Sempre tentamos ir pelo melhor caminho, mas penso se esse melhor caminho é o caminho certo. Às vezes acho que já estamos caminhando para a barbárie, algumas vezes eu quero sumir loucamente porque não vejo mais saída para nada e algumas vezes eu vejo a saída de forma completamente nítida. Estamos num tempo em que parece que não temos pelo que lutar, para que "tudo que tinha que ser chorado já foi chorado" como nos disse Raul Seixas, mas não, estamos num momento onde muitas coisas precisam ser feitas, pois estamos nos perdendo dentro de nós mesmos, no egocentrismo que nos impuseram. É estranho repensar tudo isso, ver como as coisas estão, ver que parece que tudo anda estático quando na verdade o buraco é bem mais embaixo. Essa coisa do "pense, fale, compre, beba, leia, vote" é transtornante. É de matar qualquer cerebelo perdido nesse mundo sem fim. Essa angústia eterna nos mata aos poucos, sempre temos um vazio que não sabemos como preencher. Alguns preenchem com o aĺcool, outros com outras drogas ilícitas, alguns com sexo, outros com melancolia, lembrei agora de um poema do Bandeira que é extremamente atual:

Não sei dançar

Manoel Bandeira, 1925

Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria.
Tenho todos os motivos menos um de ser triste.
Mas o cálculo das probabilidades é uma pilhéria...
Abaixo Amiel!
E nunca lerei o diário de Maria Bashkirtseff.
Sim, já perdi pai, mãe, irmãos.
Perdi a saúde também.
É por isso que sinto como ninguém o ritmo do jazz band.
Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu tomo alegria!
Eis aí por que vim assistir a este baile de terça-feira gorda.
Mistura muito excelente de chás...
Esta foi açafata...
- Não, foi arrumadeira.
E está dançando com o ex-prefeito municipal:
Tão Brasil!
De fato este salão de sangues misturados parece o Brasil...
Há até a fração incipiente amarela
Na figura de um japonês.
O japonês também dança maxixe:
Acugelê banzai!
A filha do usineiro de Campos
Olha com repugnância
Para a crioula imoral,
No entanto o que faz a indecência da outra
É dengue nos olhos maravilhosos da moça.
E aquele cair de ombros...
Mas ela não sabe...
Tão Brasil!
Ninguém se lembra de política...
Nem dos oito mil quilômetros de costa...
O algodão do Seridó é o melhor do mundo?... Que me importa?
Não há malária nem moléstia de Chagas nem ancilóstomos.
A sereia sibila e o ganzá do jazz-band batuca.
Eu tomo alegria!

(Petrópolis, 1925)

Assim, como o poeta, na maiorias da vezes eu tomo alegria, não consigo ficar muito tempo sentindo a mesma coisa, acho que é algum mecanismo de proteção existente dentro de mim... Não é fácil viver nos dias de hoje, principalmente quando somos pessoas mais sensíveis e sentimos as coisas de forma devastadora. podemos encontrar algo para nos preencher, podemos criar muros e grades dentro de nós para que as coisas não sejam tão pesadas, mas a sensação de que tudo está errado nunca vai embora. Daí eu venho com mais uma música da Pitty, "seja você mesmo que seja estranho", tento ser eu todos os dias e, por causa disso acabo sempre ficando a margem das coisas, porque mesmo quando tentamos deixar de vestir máscaras estamos vestindo-as... Afff...

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Frases

"Querido coração, se apaixone só quando você estiver pronto, não quando você estiver sozinho." Clarice Lispector

"Quando eu ligo, é porque estou sentindo sua falta. Quando eu não ligo, é porque estou esperando você sentir a minha." Clarice Lispector

'Sempre fui uma tímida muito ousada." Clarice Lispector

"Imaginei você aqui e fiquei pensando vários minutos, e só nisso tive alegria." Clarice Lispector

"Tu és, talvez, um sonho que passou. Que se fundiu na Dor, suavemente..." Florbela Espanca

"Sou uma céptica que crê em tudo, uma desiludida cheia de ilusões, uma revoltada que aceita, sorridente, todo o mal da vida." Florbela Espanca

No Time

Sem tempo de dar uma passadinha por aqui, sem tempo de ler meus livros, sem tempo para ver meus amigos e o pior: sem tempo para dormir... Isso sim me mata... Tudo em nome de algo que foi construído há mais de dez anos, minha amada faculdade de história. Mesmo sem poder viajar na literatura, sem poder ficar horas na internet, sem ficar a noite toda no boteco bebendo com os amigos estou feliz. Estou na fase de entrega dos trabalhos antes das provas, estou ficando mais legal ainda de tanto ler tantas coisas novas, de ver o mundo com outras formas, de refletir mais e mais meu mundo e o mundo dos outros. Poxa, como tem valido a pena, está sendo uma experiência melhor do que eu esperava. No primeiro semestre eu achei que ia morrer de tanto cansaço, de tanta desilusão no meu trabalho e na vida. Passei por isso, quando estamos em profissões e cursos que falam sobre pessoas a gente vive se construindo e se reconstruindo, não sei o que seria de mim se tivesse que trabalhar na frente de um pc, trancada numa sala, em departamento pessoal ou telemarketing, loja então... Admiro muito as pessoas que gostam desses ramos, porque eu... Não sirvo não... Eu gosto do movimento, de ver a vida passar, de ver a descoberta nos olhos das pessoas, de nunca estar do mesmo jeito, dos dias serem dispares, insensatos, sem nexo... É legal, pois sempre é diferente...
Enfim, mesmo com tudo indo tranquilamente, sinto falta disso aqui, das minhas fotos, dos meus passeios, dos meus amigos... Logo isso passa... Logo vem as férias e tudo será me ritmo de festa novamente.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

domingo, 26 de setembro de 2010

Promoção Literária Entre Blogs, Participe!

Vi pelo twitter essa promoção e achei super bacana, resolvi, além de participar, colocar também aqui no blog... Aliás, os blogs que estão participando são super legais, vale a pena conferir...


 Sempre procuramos promoções de bons livros, estamos atentos às novidades e sempre queremos ler todos os livros que são lançados. Mas nem sempre isso é possível.
Pensando nisso e em você, 17 blogs resolveram se juntar e criar a mais nova promoção que vai agitar a blogsfera literária.
Cada blog cedeu um livro e temos mais 5 extras, cedidos pela Lua de Papel, Agito Livros, Leandro Schulai, Laura Elias, Menina da Bahia e Viaje da Leitura.
A "Promoção Literária entre blogs" vai sortear 23 livos. Isso mesmo, 23 livros pra vocês.
Serão 4 ganhadores, o 1º ganhador levará 7 livros, o 2º ganhador levará 6 livros, o 3º ganhador levará 5 livros e o 4º ganhador levará 4 livros. Está esperando o que para participar?

Premiação:
1º Vencedor: pode escolher 1 livro do grupo 1 ao 4 e + 3 livros do grupo 5 (totalizando 7 livros)
2º Vencedor: pode escolher 1 livro do grupo 1 ao 4 e + 2 livros do grupo 5 (totalizando 6 livros)
3º Vencedor: pode escolher 1 livro do grupo 1 ao 4 e + o único livro que ficou do grupo 5 (totalizando 5 livros)
4º Vencedor: leva os demais livros (totalizando 4 livros)

 Regras:
1. Seguir os TODOS os blogs abaixo (Para seguir o blog, basta clicar em seguir na coluna ao lado):
2. Preencher o formulário abaixo em qualquer um dos blogs participantes;
 

3.
Comentar neste post não esquecendo de colocar nome de seguidor do blog e do twitter (caso você divulgue lá). Apenas uma vez.
4. Residir no Brasil

Extra:
5. Enviar um tweet a cada 12h (ou seja, duas vezes ao dia) com a frase abaixo e preencher o formulário novamente;
 "Eu participo da #promoção literária entre blogs, serão 22 livros sorteados, quer concorrer? Acesse: http://bit.ly/cqUCeF”

Caso a pessoa não cumpra as regras será desclassificada automaticamente.

Outras Informações:
1. O sorteio será feito pelo RANDOM.ORG e terá 4 (quatro) ganhadores.
2. A promoção inicia-se no dia 25 de Setembro e será válido o preenchimento do formulário até as 23h59h do dia 02 de Novembro.
3. O resultado será postado no dia 03 de Novembro em todos os blogs participantes e os ganhadores terão até 2 dias para responder.

Boa Sorte! o/

domingo, 19 de setembro de 2010

Explicação Sobre os Vídeos Abaixo

Eu estava nesse show... Sinto tanta falta desses shows gigantes que aconteciam no Parque do Ibirapuera... Conheci tanta gente bacana nessa época, riamos tanto, nem bebíamos... Éramos todos adolescentes doidos que só queria ouvir um bom rock, tocar violão e aproveitar um pouco da nossa liberdade, já que havia pouco tempo que nossos pais passaram a confiar na gente e nos deixar sair para lugares mais longíquos... hehehehehe Outro dia procurando um vídeo da Rita Lee achei esses vídeos... Bendito seja que gravou esse show e postou no Youtube... Viva a internet, coisas que não tinhamos há dez anos atrás... rs

Rita Lee e Supla 2001 - Parque Ibirapuera - SP - Orra Meu

Rita Lee 2001 - Parque Ibirapuera - SP - Erva Venenosa

Rita Lee 2001 - Parque Ibirapuera - Coisas da Vida

Rita Lee - Minha Vida


Estava aqui relembrando algumas coisas e me deu saudades de uma amiga minha, a Aline, há muito tempo que não nos vemos, mas a amizade sempre se mantém do mesmo jeito. É bom saber que vamos passando pela vida e que sempre temos pessoas assim, como ela, dentro de nossas vidas... A gente vai crescendo e essa vida doida vai tomando conta da gente e tudo fica confuso... Uma pena... Esse mundo capetalista ainda acaba com a humanidade... Daí essa música veio na mente... Tudo a ver com o que estou sentindo no momento... A gente vai envelhecendo e começa a sentir falta daquilo que o tempo não apaga mas também não volta. Meus pais sempre me disseram, faça tudo com amor, porque suas lembranças sempre serão doces... Não é que eles estavam certos?? Quanto mais cosias bonitas plantamos, mais coisas belas colhemos... Olhar o outro com outros olhos, saber ver como são as pessoas, esperar o momento certo para uma discussão faz com que nossas relações durem uma vida toda. Pena que algumas pessoas simplesmente deixam as outras de lado por coisas imbecis, só porque ela te deixou um pouco nervosa naquele momento... Se todos esperassem os incêndios se apagarem, tudo poderia ser diferente.

sábado, 18 de setembro de 2010

THE STROKES - UNDER CONTROL

Sem comentários...
"Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu." (Caio F. Abreu)

Fim de Semana no Parque

Semana passada estava falando de rap com alguns amigos e relembramos a música Fim de Semana no Parque do Racionais Mc's, música que ouvi no fim da minha infância e minha adolescencia toda. Tanto por gostar (não é porque amo rock que não vou ouvir outras coisas), quanto por viver aquela realidade, moro na periferia, num lugar onde não temos nada para nos divertir, onde a cultura nos esqueceu, onde a verba do governo nunca passou, onde sempre tivemos inveja do menino que tinha um Nike quando iamos ao shopping, os cabelos das mulheres na TV, os dentes perfeitos dos artistas, os carros fodões que víamos passando aqui na avenida... Ouvia-se muito rap em São Paulo na década de 90, Racionais era o top de linha, não tinha quem não soubesse suas letras. Pena que não pensavamos nas letras, quando cantamos essa música esses dias, a ficha caiu loucamente, como ela é a nossa vida aqui. A minha adolescencia que acabou há algum tempo e a desses jovens que estão chegando por aí... Essa música é muito feia, saber que ela é real é dificil, dói muito. Só aqui na onde moro, moram cerca de 1 milhão de pessoas, complicado né?? Isso porque estou falando só da região do Grajaú, Cocaia, Eliana, Vila São José... E não temos nada para fazer nos fins de semana, temos alguns projetos, mas que, infelizmente não dá para todos, nem para metade. Hoje, estando dentro de uma escola no bairro em que sempre morei, vejo que tudo está do mesmo jeito, quer dizer, nem tudo, a droga não era tão visada como é hoje. Poucos eram os usuários dentro das escolas, poucos eram os que traficavam, tinha-se muita bebida, mas adolescente sempre gostou de se mostrar e também sempre viu dentro de suas casas o uso, muitas vezes, abusivo do álcool. Hoje, em nome de uma vida vazia, temos uma molecada extremamente inteligente perdida no meio das drogas, mortos em assaltos em nome dessas viagens, dessas adrenalinas... Complicado ver que algumas coisas não mudam, só se acentuam... Parece que ninguém está a fim de olhar para nós aqui...

Educar Dói

Calma, calma não priemos canico... É que dói você ter que fazer marcas quando se educa alguém e essa dor pode ser maior em quem está educando do que em quem está sendo educado. Temos sempre que tomar um cuidado tamanho com as palavras, com o que vamos expressar quando se trata de educar alguém. Digo isso porque ontem acabei discutindo feio com um aluno e aquilo acabou comigo. Nãofoi uma coisa muito grande, adolescentes explodem facilmente, ainda mais quando alguém levantou a voz para eles, no caso não fui eu quem gritou com ele, mas por conta dos gritos alheios, a briga foi grande... Tudo começou pelo uso do boné, coisa que nunca consegui entender... É pai e mãe que NUNCA pegou no pé por causa disso e sempre aconteceu e sempre tivemos advertências, suspensões e brigas mil... Tudo por conta de pequenas convenções ridículas que sabe-se lá Deus quem impôs. Quando eu era adolescente, diziam na escola que era por conta do tráfico, que os traficantes levavam drogas em seus bonés, por isso ninguém poderia usar. Quando fui ao senai, diziam que não podia porque poderia enroscar em alguma máquina e ocasionar algum acidente, aí sim eu concordo plenamente, mas também tinha o lado da empresa, sempre diziam, vocês não vão usar boné no serviço de vocês vão?? Tá certo que são convenções dessa sociedade doida, mas pelo menos lá explicavam o porque do não uso do boné decentemente. Agora a questão da droga no colégio é totalmente ridícula, isso tanto há dez anos atrás quanto hoje. O camarada que vai levar isso para dentro da escola poderá levar em qualquer parte do seu corpo, em sua mochila, em seus bolsos, dentro de suas blusas, de suas roupas íntimas, enfim, não é o boné que poderá dificultar esse tipo de transação... Ela vai acontecer com ou sem boné, infelizmente. Acho que é preciso rever esse tipo de coisa, se é proibido o uso do boné, é preciso dizer o porque desse não uso, de dizer que existem determinados lugares que não se pode usar, que a escola é uma pequena sociedade que os preparam para o mundo lá fora, ou então perceber o porque desses alunos insistirem no boné, porque seus cabelos estão grandes e eles não tem dinheiro para cortar o cabelo, porque tem vergonha de seus cabelos por não serem os mesmos cabelos que eles vem na televisão todos os dias, por não poderem lavar seus cachos por falta de dinheiro para comprar um shampoo para usar algumas vezes durante a semana, isso quando não tem de lavar seus cabelos com sabão neutro, aqueles que a gente usa para dar brilho em panelas... Voltando a briga, eu tirei o boné do garoto que prometeu não usar novamente, mas como todo bom adolescente, ele usou, daí peguei novamente e deixei na direção, quando o menino desceu para pegar, acabou dando de cara com algum funcionário que estava nervoso, que o mandou de volta a sala, entre outras coisas e ele voltou no venevo para perto de mim, logo, discutimos feio, até então eu não sabia que era porque alguém já tinha sido estúpido com ele por nada, depois eu entendi o porque ele ficou daquele jeito, mas mesmo assim eu tive que ser ríspida com ele, tentar fazê-lo enxergar que a gente não pode desesreitar alguém sendo que essa pessoa nunca o tratou mal, nunca foi ríspida com ele. E para isso a gente acaba tendo que meter o dedo em determinadas feridas dos garotos e ver a dor dentro deles dói tanto... Meu dia foi uma merda, mas eu tinha que falar com ele, tinha que tentar fazer com que ele repensasse sua atitude, não a do boné e sim a de ter ficado no veneno com a pessoa errada. Eu acho engraçado que esses meninos reproduzem aquilo que vem em casa, eles não conseguem olhar nos nossos olhos, sempre de cabeça baixa e meio de lado, como se fossem bandidos e, muitas vezes neme stamos brigando com eles. Uma vez um aluno me disse que eu dava medo, porque eu olhava dentro dos olhos e que parecia que eu estava buscando algo dentro da alma deles, porque ninguém em casa os tratava assim... É complicado pacas estar nesse tipo de situação. E até isso a gente tem que ensinar, a olhar nos olhos, a assumir suas atitudes, a aprender a dizer desculpa, muito obrigada e por favor... Muitas vezes em situações que dói só de pensar... Afff...

Foo Fighters- My Hero

Relembrando os velhos tempos...

Mais Uma Vez

Renato Russo

Renato Russo/Flávio Venturini

Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei...
Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem...
Tem gente que está
Do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar...
Tem gente enganando a gente
Veja nossa vida como está
Mas eu sei que um dia
A gente aprende
Se você quiser alguém
Em quem confiar
Confie em si mesmo...
Quem acredita
Sempre alcança...
Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei...
Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem...
Nunca deixe que lhe digam:
Que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos
Nunca vão dar certo
Ou que você nunca
Vai ser alguém...
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia
A gente aprende
Se você quiser alguém
Em quem confiar
Confie em si mesmo!...
Quem acredita
Sempre alcança...

Momento Auto Ajuda

Ontem eu tive um dia de cão... Hoje recebi um email com essas frases de seja assim ou seja assado, mas acho que muitas das frases podem ser feitas por nós... Talvez esse post nem seja para mim, muita coisa que está ali eu já faço há muito tempo, mas vale a pena refletir... Assim, a gente pensa duas vezes antes de acusar algum defeito alheio quando simplesmente só queremos esconder os nossos...

30 erros a serem evitados

1. Amar os outros, mas não a si mesmo.
 
2. Não reconhecer o ego como a fonte de todos os problemas (ou não perceber que você é a causa de tudo.)
 
3. Tentar escapar da Terra, em vez de criar o Céu na Terra (ou considerar a Terra um lugar terrível.)
 
4. Enxergar as aparências, em vez da verdadeira realidade que está por trás de todas as aparências.
 
5. Tentar tornar-se Deus, em vez de perceber que você já é o Eu Eterno, como todas as outras pessoas o são.
 
6. Pensar que existe algo que se possa chamar de raiva justificada. A raiva é uma armadilha perigosa.
 
7. Tornar-se um extremista, e não ser moderado em todas as coisas.
 
8. Tornar-se sisudo demais, deixando de ter alegria, felicidade e diversão suficientes na vida.
 
9. Ser crítico demais e duro demais com você mesmo.
 
10. Ler demais e não meditar o bastante.
 
11. Deixar que a sexualidade o domine, em vez de dominá-la.
 
12. Pensar que o seu caminho espiritual é o melhor (ou tornar-se um fanático por suas crenças.)
 
13. Apegar-se demais às coisas.
 
14. Viver preocupado demais consigo e não se dedicar o suficiente a servir os outros.

15. Desistir em meio a grandes adversidades. Essa é uma das piores armadilhas. Você jamais deve desistir!  
 
16. Achar que o sofrimento que o está incomodando - seja em que nível for - não irá passar.
 
17. Pensar que precisa de um sacerdote, de um guru... que aja como intermediário entre você e Deus.
 
18. Priorizar seus relacionamentos em detrimento das relações com você mesmo e com Deus.
 
19. Envolver-se demais no amor a uma só pessoa, em vez de expandir seu amor para englobar muitas pessoas.
 
20. Dar importância indevida à busca da paixão ou da alma gêmea, e não perceber que o Eu interior é aquele que, na verdade, você está procurando prioritariamente.
 
21. Pensar que precisa sofrer na vida.
 
22. Precisar controlar os outros.
 
23. Precisar de simpatia, amor ou aprovação.
 
24. Ser hipersensível ou, no outro lado da moeda, duro demais.

25. Comparar-se com outras pessoas.
 
26. Pensar que ser pobre é ser espiritualizado.                      
 
27. Assumir o papel de vítima diante de outras pessoas.

28. Pensar que o valor reside em alcançar coisas.
 
29. Tentar fazer tudo sozinho e não pedir a ajuda de Deus; ou, no outro lado da moeda, pedir a ajuda de Deus e não se ajudar a si mesmo.
 
30. Amar um pouco menos as pessoas porque elas o estão tratando mal ou dando um exemplo negativo de egoísmo.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

"O escritor pode ser solitário e ainda assim ele vai fazer companhia ao leitor na sua solidão." -Lygia F. Teles

sábado, 11 de setembro de 2010

Legião Urbana - Se Fiquei Esperando Meu Amor Passar

Hoje estava na rua e ouvi alguém ouvindo essa música e fiquei cantarolando até chegar em casa e ouví-la. Gosto tanto de Legião urbana, teve uma época em minha vida em que só ouvia essa banda, sei todas as músicas de cor... Nem de Engenheiros eu sei tudo... Acho engraçado o quanto o Renato conseguiu descrever todo os sentimentos que temos dentro de nós mesmos... Infelizmente muita gente não gosta da banda por achar que só falam de amor e as coisas não são bem assim não... Tem muita cosia política nas músicas da Legião e também muito amor, mas afinal, se o amor é invenção do homem, porque os homens não podem falar de amor?? Estava analisando essa letra, tirando o final que sempre achei que não cabia, mas, enfim, de licença poética eu não vou discutir, ela é bem bacana, tem muito a ver comigo, com as coisas do coração que eu passei, claro que não estou apaixonada, faz muito tempo que não sei o que é isso, mas também não estou na fase de reclamar sobre o amor, estou bem na minha solidão, cheia de tanta coisa a fazer a canalizando todo o vazio que às vezes aparece nas coisas que amo, no meu trabalho, nos meus estudos, nas minhas leituras, nos meus amigos... É engraçado que, quando a gente tá apaixonado a gente fica bobão, a ponto mesmo de rimar romã com travesseiro... Eu vejo muito o alunos se apaixonando e acho uma das coisas mais bonitas de se ver, porque eles sofrem horrores e na semana seguinte já estão sofrendo por causa de outra pessoa... rs Enfim, tá aí a música...

terça-feira, 31 de agosto de 2010

The Smiths - There is a light that never goes out

Uma das músicas que mais amo na vida...

domingo, 29 de agosto de 2010

A Origem

Meu pai, que filme complexo. Ontem fui ao cinema vê-lo, maravilhoso, quem gosta de Matrix vai amar esse filme. Ele é totalmente Freud e seu inconsciente. Fiquei pensando em como eles conseguiram entrar tão profundamente dentro de suas mentes, entrar dentro de sonhos, o legal seria se pudesses mesmo poder arquitetar de um tudo numa realidade paralela, sair um pouco desse mundo doido e ficar um tempo num mundo mais a nossa cara. O filme é muito bacana, é preciso prestar bastante atenção aos detalhes, já que é um sonho dentro de outro sonho, dentro de outro sonho e por aí vai. Uma coisa que me deixou curiosa é que a personagem Mal foi interpretada pela atriz Marion Cotillard, que também interpretou Piaf, no filme de 2007 e a música quer toca no filme para que eles acordem é exatamente Non, Je Ne Regrette Rien da Piaf, pode ser viagem minha e não ter nada a ver, mas achei engraçado... Putz, só eu mesmo para pensar essas coisas... 
O final é extremamente inteligente, ele nos deixa margem para diversas interpretações, se o filme inteiro não foi só um sonho, se ele voltou ou não para a realidade, quando o filme acabou as pessoas começaram gritar no cinema com raiva desse fim surpreendente, que dá a margem para diversas discussões e finais. A questão de comandar o cérebro alheio, de entrar no subconsciente das pessoas e descobrir tudo o que se passa na mente é algo extremamente perigoso, fascinante, mas do mal.
Para variar, tudo me leva a 1984, com sua forma de manipular a história e a mente das pessoas. a propagando faz isso com a gente né? Eu sempre tenho a impressão de que há algo de errado no mundo, mas todo mundo acha que tô viajando... rs O filme me levou a pensar de novo se não vivemos dentro de uma grande matriz, se tudo o que vemos não são somente sonhos, se estamos dopados com Soma e que a qualquer hora poderemos acordar...
Filmão...

A Origem
titulo original: (Inception)
lançamento: 2010 (EUA)
direção: Christopher Nolan
atores: Leonardo DiCaprio , Marion Cotillard , Joseph Gordon-Levitt , Ellen Page , Ken Watanabe
duração: 148 min
gênero: Ficção Científica

Sinopse: Em um mundo onde é possível entrar na mente humana, Cobb (Leonardo DiCaprio) está entre os melhores na arte de roubar segredos valiosos do inconsciente, durante o estado de sono. Além disto ele é um fugitivo, pois está impedido de retornar aos Estados Unidos devido à morte de Mal (Marion Cotillard). Desesperado para rever seus filhos, Cobb aceita a ousada missão proposta por Saito (Ken Watanabe), um empresário japonês: entrar na mente de Richard Fischer (Cillian Murphy), o herdeiro de um império econômico, e plantar a ideia de desmembrá-lo. Para realizar este feito ele conta com a ajuda do parceiro Arthur (Joseph Gordon-Levitt), a inexperiente arquiteta de sonhos Ariadne (Ellen Page) e Eames (Tom Hardy), que consegue se disfarçar de forma precisa no mundo dos sonhos.

Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/a-origem/

Asas do Desejo

Acabei de ver o filme Asas do Desejo do cineasta Win Wenders, um filme fabuloso, daqueles bem leves e bem densos, um dos filmes mais lindos que já vi na vida. Ele se passa na Berlim antes da queda do muro, o filme começa em preto e branco e torna-se colorido quando anjo cai na terra para ficar com sua amada. Só que enredo do filme não é tão simples assim, a parte simples ficou para o Cidade dos Anjos, que foi inspirado nesse filme. Ele trata do tema solidão, de uma Berlim vazia que, por onde você corre, você chega no muro, ele tem diálogos poéticos, ele abrange o pensamentos das pessoas, seus sentimentos mais íntimos, sua solidão, seu vazio, seus rostos sem cor, sem luz. Essa questão dos anjos é completamente pertinente, fiquei aqui pensando se anjos existem, já que sou muito cética, e no filme isso é tão sutil... se eles existem o meu poderia cair para virar meu amor né?? rs Mas, voltando a falar sério, ele aborda vários pensamentos que temos dentro de nós,  mostra todo o vazio que a modernidade nos trouxe, toda a vida errante que vem junto com ela, a questão do individualismo, mas também todos os pequenos gestos que estão presentes nos nossos dias e que nunca percebemos, como o quanto é bom sentir o cheiro da manhã, como é bom tomar uma xícara de café, fumar um cigarro, apreciar uma paisagem, tocar alguém, ouvir uma música e deixar que ela nos toque.
O legal é que o muro norteia dois lados, o físico e o espiritual, tudo se dá em volta dele, há até uma passagem em que um anjo diz que todos os lugares levam ao muro. O nome do filme original do filme seria "O céu sobre Berlim", acredito que teria mais a ver com o filme do que Asas do Desejo, deixaria o filme mais poético ainda, não que o nome Asas não tenha, afinal os anjos vivem desejosos de terem uma vida humana, de sentir, de comer, de mentir, de serem visto...Mas, como o filme é Berlim pura, esse nome teria dado uma dimensão maior do momento ali vivido.


Asas Do Desejo

titulo original: (Der Himmel ünder Berlin)
lançamento: 1987 (Alemanha)
direção: Wim Wenders
atores: Bruno Ganz , Solveig Dommartin , Otto Sander , Curt Bois , Peter Falk
duração: 130 min
gênero: Drama

Sinopse: Na Berlim pós-guerra, dois anjos perabulam pela cidade. Invisíveis aos mortais, eles lêem seus pensamentos e tentam confortar a solidão e a depressão das almas que encontram. Entretanto, um dos anjos, ao se apaixonar por uma trapezista, deseja se tornar um humano para experimentar as alegrias de cada dia. 

Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/asas-do-desejo/

Fernando Pessoa

Um poeta daqueles que nos deixa em êxtase. Um daqueles que falam por nós todos os sentimentos que temos e mais um pouco. Ontem fui ao Museu da Língua Portuguesa ver a exposição sobre esse grande e perfeito poeta português. Pessoa é um e todos ao mesmo tempo, ele e seus heterônimos completam um ser que é mais do que um ser, mais do que uma alma... Seus heterônimos nos mostra o quanto podemos ser complexos, o quanto de nós temos dentro de nós mesmos. Cada um com sua forma, sua singularidade, assim como todos somos, vários dentro de um corpo só, hoje somos vermelhos, amanhã amarelos, depois de amanhã azuis...
A exposição está maravilhosa, aliada a tecnologia, ela nos deixa interagir e brincar um pouco com a poesia, a nos encantar mais do que ficamos normalmente. Confesso que essa foi a exposição mais legal que vi lá no Museu da Língua, que, inclusive, sempre tem exposições maravilhosas, que nos deixa sempre grávidos dos autores que vamos lá visitar. 

Fernando Pessoa nasceu em Lisboa em 1888 e faleceu na mesma cidade em 1935, poeta moderno, um dos maiores poetas de língua portuguesa, está do lado de Camões entre os mais mais de todos os tempos, há quem diga que ele supera toda a obra de Camões... Eu sou suspeita, como todos sabem eu gosto muito mais da literatura moderna, logo, Pessoa está no topo de minha vida, assim como Bandeira, Drummond... 
A maior parte de suas obras foram escritas em inglês, já que ele passou boa parte de sua vida na África do Sul, onde aprendeu a língua. Também traduziu algumas obras do inglês para o português, como alguns poemas de Poe. Seu maior legado foram seus heterônimos, cada um com suas próprias características, com datas de nascimentos e morte, como se fossem pessoas diferentes. Pode soar estranho, mas quem nunca achou que ser várias pessoas ao mesmo tempo?? Eu vivo nesse dilema. Já ouvi cada boato besta sobre o Pessoa, desde o caso do coitado ser esquizofrênico, por isso ele ser vários em uma pessoa só, o que nem seria tão do mal, porque os esquizofrênicos são extremamente inteligentes, e também que ele receberia espíritos e suas poesias seriam psicografias  de almas perdidas no além. Enfim, cada um acredita naquilo que melhor lhe convém. Talvez esse boato tenha surgido por conta de sua amizade com o ocultista Aleister Crowley, que também influenciou Raul Seixas e Jimi Page, autor de "O Livro da Lei", onde ele aborda a magia e a cabala, sendo sua interpretação sendo diferente para cada pessoa, pois, cada um tem sua vivência e cada um pode ler o livro da forma que quiser. Sobre esse livro existem diversas divagações, uma vez eu cheguei a ouvir que, quem lesse a última página desse livro estaria fazendo um pacto com Satanás, umas coisas bem bizarras... Afinal, tudo que não segue a lei estabelecida nesse mundo é obra do demo né? Mas, no fim, esses comentários são o receptáculo para que as pessoas possam procurar as obras e lerem um pouco mais.
Lá eu li uma poesia dele  que ainda não conhecia e que no mesmo instante me reconheci nela. É do heterônimo Álvaro de Campos, intitulada como "Passagem das Horas", linda, terna e turbulenta como a minha pessoa... Ela segue abaixo, na integra.


Passagem das Horas - Álvaro de Campos

Trago dentro do meu coração,  
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,  
Todos os lugares onde estive,  
Todos os portos a que cheguei,  
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,  
Ou de tombadilhos, sonhando,  
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.  
A entrada de Singapura, manhã subindo, cor verde,  
O coral das Maldivas em passagem cálida,  
Macau à uma hora da noite... Acordo de repente  
Yat-iô--ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô ... Ghi-...  
E aquilo soa-me do fundo de uma outra realidade  
A estatura norte-africana quase de Zanzibar ao sol  
Dar-es-Salaam (a saída é difícil)...  
Majunga, Nossi-Bé, verduras de Madagascar...  
Tempestades em torno ao Guardaful...  
E o Cabo da Boa Esperança nítido ao sol da madrugada...  
E a Cidade do Cabo com a Montanha da Mesa ao fundo...  
Viajei por mais terras do que aquelas em que toquei...  
Vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos...  
Experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti,  
Porque, por mais que sentisse, sempre me faltou que sentir  
E a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz.  
A certos momentos do dia recordo tudo isto e apavoro-me,  
Penso em que é que me ficará desta vida aos bocados, deste auge,  
Desta estrada às curvas, deste automóvel à beira da estrada, deste aviso,  
Desta turbulência tranqüila de sensações desencontradas,  
Desta transfusão, desta insubsistência, desta convergência iriada,  
Deste desassossego no fundo de todos os cálices,  
Desta angústia no fundo de todos os prazeres,  
Desta saciedade antecipada na asa de todas as chávenas,  
Deste jogo de cartas fastiento entre o Cabo da Boa Esperança e as Canárias.  
Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.  
Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei  
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência,  
Consangüinidade com o mistério das coisas, choque  
Aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos,  
Ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz.  
Seja o que for, era melhor não ter nascido,  
Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,  
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,  
A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair  
Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas,  
E ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos,  
Entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs,  
E tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu penso,  
Com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida.  
Cruzo os braços sobre a mesa, ponho a cabeça sobre os braços,  
É preciso querer chorar, mas não sei ir buscar as lágrimas...  
Por mais que me esforce por ter uma grande pena de mim, não choro,  
Tenho a alma rachada sob o indicador curvo que lhe toca...  
Que há de ser de mim?  Que há de ser de mim?  
  
Correram o bobo a chicote do palácio, sem razão,  
Fizeram o mendigo levantar-se do degrau onde caíra.  
Bateram na criança abandonada e tiraram-lhe o pão das mãos.  
Oh mágoa imensa do mundo, o que falta é agir...  
Tão decadente, tão decadente, tão decadente...  
Só estou bem quando ouço música, e nem então.  
Jardins do século dezoito antes de 89,  
Onde estais vós, que eu quero chorar de qualquer maneira?  
  
 Como um bálsamo que não consola senão pela idéia de que é um bálsamo,  
A tarde de hoje e de todos os dias pouco a pouco, monótona, cai.  
  
Acenderam as luzes, cai a noite, a vida substitui-se.  
Seja de que maneira for, é preciso continuar a viver.  
Arde-me a alma como se fosse uma mão, fisicamente.  
Estou no caminho de todos e esbarram comigo.  
Minha quinta na província,  
Haver menos que um comboio, uma diligência e a decisão de partir entre mim e ti.  
Assim fico, fico... Eu sou o que sempre quer partir,  
E fica sempre, fica sempre, fica sempre,  
Até à morte fica, mesmo que parta, fica, fica, fica...  
  
 Torna-me humano, ó noite, torna-me fraterno e solícito.  
Só humanitariamente é que se pode viver.  
Só amando os homens, as ações, a banalidade dos trabalhos,  
Só assim - ai de mim! -, só assim se pode viver.  
Só assim, o noite, e eu nunca poderei ser assim!  
  
Vi todas as coisas, e maravilhei-me de tudo,  
Mas tudo ou sobrou ou foi pouco - não sei qual - e eu sofri.  
Vivi todas as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos,  
E fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse.  
Amei e odiei como toda gente,  
Mas para toda a gente isso foi normal e instintivo,  
E para mim foi sempre a exceção, o choque, a válvula, o espasmo.  
  
Vem, ó noite, e apaga-me, vem e afoga-me em ti.  
Ó carinhosa do Além, senhora do luto infinito,  
Mágoa externa na Terra, choro silencioso do Mundo.  
Mãe suave e antiga das emoções sem gesto,  
Irmã mais velha, virgem e triste, das idéias sem nexo,  
Noiva esperando sempre os nossos propósitos incompletos,  
A direção constantemente abandonada do nosso destino,  
A nossa incerteza pagã sem alegria,  
A nossa fraqueza cristã sem fé,  
O nosso budismo inerte, sem amor pelas coisas nem êxtases,  
A nossa febre, a nossa palidez, a nossa impaciência de fracos,  
A nossa vida, o mãe, a nossa perdida vida...  
  
Não sei sentir, não sei ser humano, conviver  
De dentro da alma triste com os homens meus irmãos na terra.  
Não sei ser útil mesmo sentindo, ser prático, ser quotidiano, nítido,  
Ter um lugar na vida, ter um destino entre os homens,  
Ter uma obra, uma força, uma vontade, uma horta,  
Unia razão para descansar, uma necessidade de me distrair,  
Uma cousa vinda diretamente da natureza para mim.  
  
Por isso sê para mim materna, ó noite tranqüila...  
Tu, que tiras o mundo ao mundo, tu que és a paz,  
Tu que não existes, que és só a ausência da luz,  
Tu que não és uma coisa, rim lugar, uma essência, uma vida,  
Penélope da teia, amanhã desfeita, da tua escuridão,  
Circe irreal dos febris, dos angustiados sem causa,  
Vem para mim, ó noite, estende para mim as mãos,  
E sê frescor e alívio, o noite, sobre a minha fronte...  
'Tu, cuja vinda é tão suave que parece um afastamento,  
Cujo fluxo e refluxo de treva, quando a lua bafeja,  
Tem ondas de carinho morto, frio de mares de sonho,  
Brisas de paisagens supostas para a nossa angústia excessiva...  
Tu, palidamente, tu, flébil, tu, liquidamente,  
Aroma de morte entre flores, hálito de febre sobre margens,  
Tu, rainha, tu, castelã, tu, dona pálida, vem...  
  
Sentir tudo de todas as maneiras,  
Viver tudo de todos os lados,  
Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,  
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos  
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.  
  
Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo,  
Eu torno-me sempre, mais tarde ou mais cedo,  
Aquilo com quem simpatizo, seja uma pedra ou uma ânsia,  
Seja uma flor ou uma idéia abstrata,  
Seja uma multidão ou um modo de compreender Deus.  
E eu simpatizo com tudo, vivo de tudo em tudo.  
São-me simpáticos os homens superiores porque são superiores,  
E são-me simpáticos os homens inferiores porque são superiores também,  
Porque ser inferior é diferente de ser superior,  
E por isso é uma superioridade a certos momentos de visão.  
Simpatizo com alguns homens pelas suas qualidades de caráter,  
E simpatizo com outros pela sua falta dessas qualidades,  
E com outros ainda simpatizo por simpatizar com eles,  
E há momentos absolutamente orgânicos em que esses são todos os homens.  
Sim, como sou rei absoluto na minha simpatia,  
Basta que ela exista para que tenha razão de ser.  
Estreito ao meu peito arfante, num abraço comovido,  
(No mesmo abraço comovido)  
O homem que dá a camisa ao pobre que desconhece,  
O soldado que morre pela pátria sem saber o que é pátria,  
E o matricida, o fratricida, o incestuoso, o violador de crianças,  
O ladrão de estradas, o salteador dos mares,  
O gatuno de carteiras, a sombra que espera nas vielas —  
Todos são a minha amante predileta pelo menos um momento na vida.  
  
Beijo na boca todas as prostitutas,  
Beijo sobre os olhos todos os souteneurs,  
A minha passividade jaz aos pés de todos os assassinos  
E a minha capa à espanhola esconde a retirada a todos os ladrões.  
Tudo é a razão de ser da minha vida.  
  
Cometi todos os crimes,  
Vivi dentro de todos os crimes  
(Eu próprio fui, não um nem o outro no vicio,  
Mas o próprio vício-pessoa praticado entre eles,  
E dessas são as horas mais arco-de-triunfo da minha vida).  
  
Multipliquei-me, para me sentir,  
Para me sentir, precisei sentir tudo,  
Transbordei, não fiz senão extravasar-me,  
Despi-me, entreguei-rne,  
E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente.  
  
Os braços de todos os atletas apertaram-me subitamente feminino,  
E eu só de pensar nisso desmaiei entre músculos supostos.  
  
Foram dados na minha boca os beijos de todos os encontros,  
Acenaram no meu coração os lenços de todas as despedidas,  
Todos os chamamentos obscenos de gesto e olhares  
Batem-me em cheio em todo o corpo com sede nos centros sexuais.  
Fui todos os ascetas, todos os postos-de-parte, todos os como que esquecidos,  
E todos os pederastas - absolutamente todos (não faltou nenhum).  
Rendez-vous a vermelho e negro no fundo-inferno da minha alma!  
  
(Freddie, eu chamava-te Baby, porque tu eras louro, branco e eu amava-te,  
Quantas imperatrizes por reinar e princesas destronadas tu foste para mim!)  
Mary, com quem eu lia Burns em dias tristes como sentir-se viver,  
Mary, mal tu sabes quantos casais honestos, quantas famílias felizes,  
Viveram em ti os meus olhos e o meu braço cingido e a minha consciência incerta,  
A sua vida pacata, as suas casas suburbanas com jardim,  
Os seus half-holidays inesperados...  
Mary, eu sou infeliz...  
Freddie, eu sou infeliz...  
Oh, vós todos, todos vós, casuais, demorados,  
Quantas vezes tereis pensado em pensar em mim, sem que o fósseis,  
Ah, quão pouco eu fui no que sois, quão pouco, quão pouco —  
Sim, e o que tenho eu sido, o meu subjetivo universo,  
Ó meu sol, meu luar, minhas estrelas, meu momento,  
Ó parte externa de mim perdida em labirintos de Deus!  
  
Passa tudo, todas as coisas num desfile por mim dentro,  
E todas as cidades do mundo, rumorejam-se dentro de mim ...  
Meu coração tribunal, meu coração mercado,  
Meu coração sala da Bolsa, meu coração balcão de Banco,  
Meu coração rendez-vous de toda a humanidade,  
Meu coração banco de jardim público, hospedaria,  
Estalagem, calabouço número qualquer cousa  
(Aqui estuvo el Manolo en vísperas de ir al patíbulo)  
Meu coração clube, sala, platéia, capacho, guichet, portaló,  
Ponte, cancela, excursão, marcha, viagem, leilão, feira, arraial,  
Meu coração postigo,  
Meu coração encomenda,  
Meu coração carta, bagagem, satisfação, entrega,  
Meu coração a margem, o lirrite, a súmula, o índice,  
Eh-lá, eh-lá, eh-lá, bazar o meu coração.  
  
Todos os amantes beijaram-se na minh'alma,  
Todos os vadios dormiram um momento em cima de mim,  
Todos os desprezados encostaram-se um momento ao meu ombro,  
Atravessaram a rua, ao meu braço, todos os velhos e os doentes,  
E houve um segredo que me disseram todos os assassinos.  
  
(Aquela cujo sorriso sugere a paz que eu não tenho,  
Em cujo baixar-de-olhos há uma paisagem da Holanda,  
Com as cabeças femininas coiffées de lin  
E todo o esforço quotidiano de um povo pacífico e limpo...  
Aquela que é o anel deixado em cima da cômoda,  
E a fita entalada com o fechar da gaveta,  
Fita cor-de-rosa, não gosto da cor mas da fita entalada,  
Assim como não gosto da vida, mas gosto de senti-la ...  
Dormir como um cão corrido no caminho, ao sol,  
Definitivamente para todo o resto do Universo,  
E que os carros me passem por cima.)  
Fui para a cama com todos os sentimentos,  
Fui souteneur de todas ás emoções,  
Pagaram-me bebidas todos os acasos das sensações,  
Troquei olhares com todos os motivos de agir,  
Estive mão em mão com todos os impulsos para partir,  
Febre imensa das horas!  
Angústia da forja das emoções!  
Raiva, espuma, a imensidão que não cabe no meu lenço,  
A cadela a uivar de noite,  
O tanque da quinta a passear à roda da minha insônia,  
O bosque como foi à tarde, quando lá passeamos, a rosa,  
A madeixa indiferente, o musgo, os pinheiros,  
Toda a raiva de não conter isto tudo, de não deter isto tudo,  
Ó fome abstrata das coisas, cio impotente dos momentos,  
Orgia intelectual de sentir a vida!  
  
Obter tudo por suficiência divina —  
As vésperas, os consentimentos, os avisos,  
As cousas belas da vida —  
O talento, a virtude, a impunidade,  
A tendência para acompanhar os outros a casa,  
A situação de passageiro,  
A conveniência em embarcar já para ter lugar,  
E falta sempre uma coisa, um copo, uma brisa, urna frase,  
E a vida dói quanto mais se goza e quanto mais se inventa.  
Poder rir, rir, rir despejadamente,  
Rir como um copo entornado,  
Absolutamente doido só por sentir,  
Absolutamente roto por me roçar contra as coisas,  
Ferido na boca por morder coisas,  
Com as unhas em sangue por me agarrar a coisas,  
E depois dêem-me a cela que quiserem que eu me lembrarei da vida.  
Sentir tudo de todas as maneiras,  
Ter todas as opiniões,  
Ser sincero contradizendo-se a cada minuto,  
Desagradar a si próprio pela plena liberalidade de espírito,  
E amar as coisas como Deus.  
Eu, que sou mais irmão de uma árvore que de um operário,  
Eu, que sinto mais a dor suposta do mar ao bater na praia  
Que a dor real das crianças em quem batem  
(Ah, como isto deve ser falso, pobres crianças em quem batem —  
E por que é que as minhas sensações se revezam tão depressa?)  
Eu, enfim, que sou um diálogo continuo,  
Um falar-alto incompreensível, alta-noite na torre,  
Quando os sinos oscilam vagamente sem que mão lhes toque  
E faz pena saber que há vida que viver amanhã.  
Eu, enfim, literalmente eu,  
E eu metaforicamente também,  
Eu, o poeta sensacionista, enviado do Acaso  
As leis irrepreensíveis da Vida,  
Eu, o fumador de cigarros por profissão adequada,  
O indivíduo que fuma ópio, que toma absinto, mas que, enfim,  
Prefere pensar em fumar ópio a fumá-lo  
E acha mais seu olhar para o absinto a beber que bebê-lo...  
Eu, este degenerado superior sem arquivos na alma,  
Sem personalidade com valor declarado,  
Eu, o investigador solene das coisas fúteis,  
Que era capaz de ir viver na Sibéria só por embirrar com isso,  
E que acho que não faz mal não ligar importâricia à pátria  
Porqtie não tenho raiz, como uma árvore, e portanto não tenho raiz  
Eu, que tantas vezes me sinto tão real como uma metáfora,  
Como uma frase escrita por um doente no livroda rapariga que encontrou no terraço,  
Ou uma partida de xadrez no convés dum transatlântico,  
Eu, a ama que empurra os perambulators em todos os jardins públicos,  
Eu, o policia que a olha, parado para trás na álea,  
Eu, a criança no carro, que acena à sua inconsciência lúcida com um coral com guizos.  
Eu, a paisagem por detrás disto tudo, a paz citadina  
Coada através das árvores do jardim público,  
Eu, o que os espera a todos em casa,  
Eu, o que eles encontram na rua,  
Eu, o que eles não sabem de si próprios,  
Eu, aquela coisa em que estás pensando e te marca esse sorriso,  
Eu, o contraditório, o fictício, o aranzel, a espuma,  
O cartaz posto agora, as ancas da francesa, o olhar do padre,  
O largo onde se encontram as suas ruas e os chauffeurs dormem contra os carros,  
A cicatriz do sargento mal encarado,  
O sebo na gola do explicador doente que volta para casa,  
A chávena que era por onde o pequenito que morreu bebia sempre,  
E tem uma falha na asa (e tudo isto cabe num coração de mãe e enche-o)...  
Eu, o ditado de francês da pequenita que mexe nas ligas,  
Eu, os pés que se tocam por baixo do bridge sob o lustre,  
Eu, a carta escondida, o calor do lenço, a sacada com a janela entreaberta,  
O portão de serviço onde a criada fala com os desejos do primo,  
O sacana do José que prometeu vir e não veio  
E a gente tinha uma partida para lhe fazer...  
Eu, tudo isto, e além disto o resto do mundo...  
Tanta coisa, as portas que se abrem, e a razão por que elas se abrem,  
E as coisas que já fizeram as mãos que abrem as portas...  
Eu, a infelicidade-nata de todas as expressões,  
A impossibilidade de exprimir todos os sentimentos,  
Sem que haja uma lápida no cemitério para o irmão de ttido isto,  
E o que parece não querer dizer nada sempre quer dizer qualquer cousa...  
Sim, eu, o engenheiro naval que sou supersticioso como uma camponesa madrinha,  
E uso monóculo para não parecer igual à idéia real que faço de mim,  
Que levo às vezes três horas a vestir-me e nem por isso acho isso natural,  
Mas acho-o metafísico e se me batem à porta zango-me,  
Não tanto por me interromperem a gravata como por ficar sabendo que há a vida...  
Sim, enfim, eu o destinatário das cartas lacradas,  
O baú das iniciais gastas,  
A entonação das vozes que nunca ouviremos mais -  
Deus guarda isso tudo no Mistério, e às vezes sentimo-lo  
E a vida pesa de repente e faz muito frio mais perto que o corpo.  
A Brígida prima da minha tia,  
O general em que elas falavam - general quando elas eram pequenas,  
E a vida era guerra civil a todas as esquinas...  
Vive le mélodrame oú Margot a pleuré!  
Caem as folhas secas no chão irregularmente,  
Mas o fato é que sempre é outono no outono,  
E o inverno vem depois fatalmente,  
há só um caminho para a vida, que é a vida...  
Esse velho insignificante, mas que ainda conheceu os românticos,  
Esse opúsculo político do tempo das revoluções constitucionais,  
E a dor que tudo isso deixa, sem que se saiba a razão  
Nem haja para chorar tudo mais razão que senti-lo.  
Viro todos os dias todas as esquinas de todas as ruas,  
E sempre que estou pensando numa coisa, estou pensando noutra.  
Não me subordino senão por atavisnio,  
E há sempre razões para emigrar para quem não está de cama.  
Das serrasses de todos os cafés de todas as cidades  
Acessíveis à imaginação  
Reparo para a vida que passa, sigo-a sem me mexer,  
Pertenço-lhe sem tirar um gesto da algibeira,  
Nem tomar nota do que vi para depois fingir que o vi.  
No automóvel amarelo a mulher definitiva de alguém passa,  
Vou ao lado dela sem ela saber.  
No trottoir imediato eles encontram-se por um acaso combinado,  
Mas antes de o encontro deles lá estar já eu estava com eles lá.  
Não há maneira de se esquivarem a encontrar-me,  
Não há modo de eu não estar em toda a parte.  
O meu privilégio é tudo  
(Brevetée, Sans Garantie de Dieu, a minh'Alma).  
Assisto a tudo e definitivamente.  
Não há jóia para mulher que não seja comprada por mim e para mim,  
Não há intenção de estar esperando que não seja minha de qualquer maneira,  
Não há resultado de conversa que não seja meu por acaso,  
Não há toque de sino em Lisboa há trinta anos, noite de S. Carlos há cinqüenta  
Que não seja para mim por uma galantaria deposta.  
Fui educado pela Imaginação,  
Viajei pela mão dela sempre,  
Amei, odiei, falei, pensei sempre por isso,  
E todos os dias têm essa janela por diante,  
E todas as horas parecem minhas dessa maneira.  
Cavalgada explosiva, explodida, como uma bomba que rebenta,  
Cavalgada rebentando para todos os lados ao mesmo tempo,  
Cavalgada por cima do espaço, salto por cima do tempo,  
Galga, cavalo eléctron-íon, sistema solar resumido  
Por dentro da ação dos êmbolos, por fora do giro dos volantes.  
Dentro dos êmbolos, tornado velocidade abstrata e louca,  
Ajo a ferro e velocidade, vaivém, loucura, raiva contida,  
Atado ao rasto de todos os volantes giro assombrosas horas,  
E todo o universo range, estraleja e estropia-se em mim.  
Ho-ho-ho-ho-ho!...  
Cada vez mais depressa, cada vez mais com o espírito adiante do corpo  
Adiante da própria idéia veloz do corpo projetado,  
Com o espírito atrás adiante do corpo, sombra, chispa,  
He-la-ho-ho ... Helahoho ...  
Toda a energia é a mesma e toda a natureza é o mesmo...  
A seiva da seiva das árvores é a mesma energia que mexe  
As rodas da locomotiva, as rodas do elétrico, os volantes dos Diesel,  
E um carro puxado a mulas ou a gasolina é puxado pela mesma coisa.  
Raiva panteísta de sentir em mim formidandamente,  
Com todos os meus sentidos em ebulição, com todos os meus poros em fumo,  
Que tudo é uma só velocidade, uma só energia, uma só divina linha  
De si para si, parada a ciciar violências de velocidade louca...  
Ho ----  
Ave, salve, viva a unidade veloz de tudo!  
Ave, salve, viva a igualdade de tudo em seta!  
Ave, salve, viva a grande máquina universo!  
Ave, que sois o mesmo, árvores, máquinas, leis!  
Ave, que sois o mesmo, vermes, êmbolos, idéias abstratas,  
A mesma seiva vos enche, a mesma seiva vos torna,  
A mesma coisa sois, e o resto é por fora e falso,  
O resto, o estático resto que fica nos olhos que param,  
Mas não nos meus nervos motor de explosão a óleos pesados ou leves,  
Não nos meus nervos todas as máquinas, todos os sistemas de engrenagem,  
Nos meus nervos locomotiva, carro elétrico, automóvel, debulhadora a vapor  
Nos meus nervos máquina marítima, Diesel, semi-Diesel,  
Campbell, Nos meus nervos instalação absoluta a vapor, a gás, a óleo e a eletricidade,  
Máquina universal movida por correias de todos os momentos!  
Todas as madrugadas são a madrugada e a vida.  
Todas as auroras raiam no mesmo lugar:  
Infinito...  
Todas as alegrias de ave vêm da mesma garganta,  
Todos os estremecimentos de folhas são da mesma árvore,  
E todos os que se levantam cedo para ir trabalhar  
Vão da mesma casa para a mesma fábrica por o mesmo caminho...  
Rola, bola grande, formigueiro de consciências, terra,  
Rola, auroreada, entardecida, a prumo sob sóis, noturna,  
Rola no espaço abstrato, na noite mal iluminada realmente  
Rola ...  
Sinto na minha cabeça a velocidade de giro da terra,  
E todos os países e todas as pessoas giram dentro de mim,  
Centrífuga ânsia, raiva de ir por os ares até aos astros  
Bate pancadas de encontro ao interior do meu crânio,  
Põe-me alfinetes vendados por toda a consciência do meu corpo,  
Faz-me levantar-me mil vezes e dirigir-me para Abstrato,  
Para inencontrável, Ali sem restrições nenhumas,  
A Meta invisível — todos os pontos onde eu não estou — e ao mesmo tempo ...  
Ah, não estar parado nem a andar,  
Não estar deitado nem de pé,  
Nem acordado nem a dormir,  
Nem aqui nem noutro ponto qualquer,  
Resol,,,er a equação desta inquietação prolixa,  
Saber onde estar para poder estar em toda a parte,  
Saber onde deitar-me para estar passeando por todas as ruas ...  
  
Ho-ho-ho-ho-ho-ho-ho  
Cavalgada alada de mim por cima de todas as coisas,  
Cavalgada estalada de mim por baixo de todas as coisas,  
Cavalgada alada e estalada de mim por causa de todas as coisas ...  
Hup-la por cima das árvores,  hup-la por baixo dos tanques,  
Hup-la contra as paredes, hup-la raspando nos troncos,  
Hup-la no ar, hup-la no vento, hup-la, hup-la nas praias,  
Numa velocidade crescente, insistente, violenta,  
Hup-la hup-la hup-la hup-la ...  
Cavalgada panteísta de mim por dentro de todas as coisas,  
Cavalgada energética por dentro de todas as energias,  
Cavalgada de mim por dentro do carvão que se queima, da lâmpada que arde,  
Clarim claro da manhã ao fundo  
Do semicírculo frio do horizonte,  
Tênue clarim longínquo como bandeiras incertas  
Desfraldadas para além de onde as cores são visíveis ...  
Clarim trêmulo, poeira parada, onde a noite cessa,  
Poeira de ouro parada no fundo da visibilidade  ...  
Carro que chia limpidamente, vapor que apita,  
Guindaste que começa a girar no meu ouvido,  
Tosse seca, nova do que sai de casa,  
Leve arrepio matutino na alegria de viver,  
Gargalhada súbita velada pela bruma exterior não sei como,  
Costureira fadada para pior que a manhã que sente,  
Operário tísico desfeito para feliz nesta hora  
Inevitavelmente vital,  
Em que o relevo das coisas é suave, certo e simpático,  
Em que os muros são frescos ao contacto da mão, e as casas  
Abrem aqu; e ali os olhos cortinados a branco...  
Toda a madrugada é uma colina que oscila,  
...................................................................... e caminha tudo  
  
Para a hora cheia de luz em que as lojas baixam as pálpebras  
E rumor tráfego carroça comboio eu sinto sol estruge  
  
Vertigem do meio-dia emoldurada a vertigens —  
Sol dos vértices e nos... da minha visão estriada,  
Do rodopio parado da minha retentiva seca,  
Do abrumado clarão fixo da minha consciência de viver.  
  
Rumor tráfego carroça comboio carros eu sinto sol rua,  
Aros caixotes trolley loja rua i,itrines saia olhos  
Rapidamente calhas carroças caixotes rua atravessar rua  
Passeio lojistas "perdão" rua  
Rua a passear por mim a passear pela rua por mim  
Tudo espelhos as lojas de cá dentro das lojas de lá  
A velocidade dos carros ao contrário nos espelhos oblíquos das montras,  
O chão no ar o sol por baixo dos pés rua regas flores no cesto rua  
O meu passado rua estremece camion rua não me recordo rua  
  
Eu de cabeça pra baixo no centro da minha consciência de mim  
Rua sem poder encontrar uma sensação só de cada vez rua  
Rua pra trás e pra diante debaixo dos meus pés  
Rua em X em Y em Z por dentro dos meus braços  
Rua pelo meu monóculo em círculos de cinematógrafo pequeno,  
Caleidoscópio em curvas iriadas nítidas rua.  
Bebedeira da rua e de sentir ver ouvir tudo ao mesmo tempo.  
Bater das fontes de estar vindo para cá ao mesmo tempo que vou para lá.  
Comboio parte-te de encontro ao resguardo da linha de desvio!  
Vapor navega direito ao cais e racha-te contra ele!  
Automóvel guiado pela loucura de todo o universo precipita-te  
Por todos os precipícios abaixo  
E choca-te, trz!, esfrangalha-te no fundo do meu coração!  
À moi, todos os objetos projéteis!  
À moi, todos os objetos direções!  
À moi, todos os objetos invisíveis de velozes!  
Batam-me, trespassem-me, ultrapassem-me!  
Sou eu que me bato, que me trespasso, que me ultrapasso!  
A raiva de todos os ímpetos fecha em círculo-mim!  
  
Hela-hoho comboio, automóvel, aeroplano minhas ânsias,  
Velocidade entra por todas as idéias dentro,  
Choca de encontro a todos os sonhos e parte-os,  
Chamusca todos os ideais humanitários e úteis,  
Atropela todos os sentimentos normais, decentes, concordantes,  
Colhe no giro do teu volante vertiginoso e pesado  
Os corpos de todas as filosofias, os tropos de todos os poemas,  
Esfrangalha-os e fica só tu, volante abstrato nos ares,  
Senhor supremo da hora européia, metálico a cio.  
Vamos, que a cavalgada não tenha fim nem em Deus!  
...............................................................  
...............................................................  
Dói-me a imaginação não sei como, mas é ela que dói,  
Dec4ina dentro de mim o sol no alto do céu.  
Começa a tender a entardecer no azul e nos meus nervos.  
Vamos ó cavalgada, quem mais me consegues tornar?  
Eu que, veloz, voraz, comilão da energia abstrata,  
Queria comer, beber, esfolar e arranhar o mundo,  
Eu, que só me contentaria com calcar o universo aos pés,  
Calcar, calcar, calcar até não sentir.  
Eu, sinto que ficou fora do que imaginei tudo o que quis,  
Que embora eu quisesse tudo, tudo me faltou.  
Cavalgada desmantelada por cima de todos os cimos,  
Cavalgada desarticulada por baixo de todos os poços,  
Cavalgada vôo, cavalgada seta, cavalgada pensamento-relâmpago,  
Cavalgada eu, cavalgada eu, cavalgada o universo — eu.  
Helahoho-o-o-o-o-o-o-o ...  
Meu ser elástico, mola, agulha, trepidação ...