"Sou como você me vê... Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar!" (Clarice Lispector)

quarta-feira, 27 de março de 2013

27 de Março de 2013


Difícil não ouvir Legião Urbana e não ter milhares de coisas na mente. Há quem odeie, há quem ame... Eu sou do grupo daqueles que amam, daqueles que ouviram essas canções e sentiram exatamente aquilo que o Renato Russo sentia, que se perdiam no mundo, que se encontravam dentro dessas letras maravilhosas, que chorava as desilusões do mundo, as desilusões amorosas, os questionamentos sobre tudo, as descobertas, as verdades e as mentiras...
Março me é um mês bem complicado, meu aniversários, milhares de datas felizes e infelizes e o aniversário daquele que esteve presente em todos os meus momentos, principalmente os mais complicados, os mais tristes... Confesso ouvir muito pouco, assim como muitos dos meus heróis, mas por falta de tempo, a vida vai tomando rumos e vamos ficando longe daquilo que somos, daquilo que um dia fomos, até do que somos hoje por conta de empregos que só nos fazem desejar a sexta e o fim de semana... Ao ouvir as músicas dessa banda começo a repensar coisas, como foi minha juventude, como a juventude de hoje está perdida "a juventude está sozinha, não há ninguém para a ajudar a explicar porque que o mundo é esse desastre que aí está", sim, eu sei todas as letras, sim, repetindo, todas as letras e sempre cito em tudo, porque ainda me trazem diversos sentimentos e sensações... É engraçado que hoje eu tenho coisas bonitas para contar e mesmo tendo ainda muito tempo pela frente... Me emociona falar dele, me emociona lembrar de suas canções... Me emociona ter um aniversário tão perto do dele, de ter o mesmo signo que ele, de querer ter sido ele...

sábado, 23 de março de 2013

Carcereiros

O livro Carcereiros, escrito pelo médido Drauzio Varella, já conhecido pelo seu outro livro chamado Carandiru, que se tornou um dos melhores filmes do cinema brasileiro, trabalho durante muitos anos como médico voluntário dentro dos presídios paulistas e, com isso, fez muitos amigos lá dentro, além de ouvir e passar por diversas histórias, que ele relata em seu novo livro.
São histórias que nos deixa estarrecidos, acho que muitos de nós nunca pensamos na vida dos carcereiros, como chegam a esse posto, porque escolhem isso, como lidam com os presos, com a polícia, enfim, com o sistema.
Muitos deles vieram de vida simples e prestaram concurso para tentar uma vida mais amena, muitos deles nem sabiam o que iam encontrar, outros passaram tanto tempo na carceragem que conseguiram ver o quanto a polícia e os tipos de presos, além do respeito pelos seres humanos mudaram.
Todos eles passaram por rebeliões, alguns por sessões de tortura, outros eram amigos dos presos, uma boa tática para não serem agredidos no dia a dia. O autor faz uma comparação desses carcereiros juntamente com a vida dos presos, pois, por mais que eles saiam de lá e vão viver suas vidas depois do dia de trabalho, eles ficam presos, naquele ambiente insalubre, sem vida, cinza, vendo vidas que vão passando, pois muitos dos presos são jovens e ao invés de terem uma vida de liberdade estão encarcerados e perdendo os melhores de seus anos. 
Além das histórias muito bem escritas e curiosas, podemos começar a repensar a questão dos presidiários e as condições em que eles vivem, nas cadeias do nosso país não há como reformar esses homens, não há iniciativa de que eles estudem, trabalhem, para ganhar o próprio sustento de suas famílias que ficaram do lado de fora, além de uma chance para que o preso, ao sair, possa ter uma vida fora da criminalidade, recuperar sua dignidade e seguir em frente, com novos valores e conhecimentos. Depois do episódio dos 111 presos mortos na década de 90, podemos ver que a formação de facções dentro dos presídios está cada vez maior e cada vez mais perigosa, tendo em vista a quantidade de assassinatos de policiais no ano de 2012, isso em São Paulo, fora o que já vemos em outros estados, como o Rio de Janeiro, por exemplo, que tem a formação do comando vermelho desde fins da década de 70.
Vivemos de resquícios mal feitos da nossa ditadura, dos governos anteriores, como do próprio Getúlio Vargas, de épocas imemoriais em que tudo se resolvia (ou se revolve?) na porrada. Que nos gera problemas gigantescos, que vemos em todos os dias nas nossas vidas. Principalmente para quem mora na periferia de São Paulo.

sexta-feira, 22 de março de 2013

O Lado Bom da Vida

O livro, O Lado Bom da Vida, escrito por Matthew Quick, que foi professor e depois de uma viagem até a América do sul resolveu escrever e entrar em outra conexão com o universo, é um daqueles livros que achamos que não haverá conexão alguma com qualquer, que é um simples livro de auto ajuda ou algo nesse sentido. O que nos deixa totalmente enganados, é um livro maravilhoso, daquele que sentamos e vamos lendo sem ver o tempo passar, repensando algumas coisas de nossas vidas, refletindo sobre a loucura, a perda, o amor, o desamor, a traição, a amizade, família e até em jogos de futebol americano.
O livro conta a história de Pat, que teve um casamento decepcionante e por conta de uma traição acabou indo parar num hospital psiquiátrico, passando alguns anos de sua vida sem se lembrar de seu grande trauma e achando que saindo de lá voltaria a estar com sua esposa. Com o passar do tempo, sua mãe vai buscá-lo no hospital e o leva para casa, onde ele recomeça do zero, sem emprego, com uma família desestruturada, pois seu pai não consegue se carinhoso com ele, nem com seu irmão e muito menos com sua esposa, que faz de tudo para que Pat possa se sentir bem e recuperar-se de seu trauma. Pat, durante a estadia no "lugar Ruim" como ele mesmo menciona no livro, começou a malhar para que ficasse com o corpo igual ao de quando conheceu sua esposa e ao sair da clinica mantém o hábito. Num jantar na casa de um amigo, conhece Tiffany, que passou por problemas tão ruins quanto os dele e estava lutando para sair de sua depressão. Eles passam a corre juntos e se tornam amigos. Tiffany se apaixona por ele e com isso lhe faz uma proposta que Pat começa a achar que pode mudar sua vida e enfim voltar com sua esposa. O tempo passa e algumas mentiras vão aparecendo, quando, num relance, ele começa a se lembrar do porque ter ficado tanto tempo numa clínica psiquiátrica e a romper com seu passado iniciando um futuro que já estava ali presente há um certo tempo.
A história pode não parecer muito comovente, mas quando começamos a ler podemos ver tamanha profundidade e peculiaridades que não achamos tão facilmente, podemos ver intertextos dentro da obra, ele cita diversos livros, livros que podemos levar para nossas vidas, em sua maior parte tristes, mas quem disse que a vida pode ser sempre feliz? É preciso analisar porque o autor colocou justamente essas obras para conversar com o personagem principal. Podemos ver, dentre os diversos livros, O Apanhador no Campo de Centeio, que nos ajuda a ver o quanto podemos estar perdidos e o quanto a vida é simples, é um livro maravilhoso, que pode ser lido por qualquer idade, mas que faz a total diferença quando o lemos quando somos novos, quando ainda temos diversas duvidas e sonhos. Podemos ver que Pat está passando por isso, e que ler o livro talvez o ajude a se reencontrar. Pat fica triste ao ver que todos esses livros sao tristes até entender que muitas vezes eles só estão por aí para nos falar mais sobre nós mesmos, sobre as épocas em que vivemos, sobre o que o mundo nos diz. Além de canções que marcaram sua história e que são elos para que ele retome sua vida e saia da crise.
Além do livro, há o filme, que foi recentemente lançado no cinema, claro que não é fiel a obra, mas não deixa de ser um filme magnífico, que desperta a curiosidade para a leitura do livro e se apaixonar cada vez mais pela história do nosso querido Pat People.