"Sou como você me vê... Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar!" (Clarice Lispector)

sábado, 18 de setembro de 2010

Fim de Semana no Parque

Semana passada estava falando de rap com alguns amigos e relembramos a música Fim de Semana no Parque do Racionais Mc's, música que ouvi no fim da minha infância e minha adolescencia toda. Tanto por gostar (não é porque amo rock que não vou ouvir outras coisas), quanto por viver aquela realidade, moro na periferia, num lugar onde não temos nada para nos divertir, onde a cultura nos esqueceu, onde a verba do governo nunca passou, onde sempre tivemos inveja do menino que tinha um Nike quando iamos ao shopping, os cabelos das mulheres na TV, os dentes perfeitos dos artistas, os carros fodões que víamos passando aqui na avenida... Ouvia-se muito rap em São Paulo na década de 90, Racionais era o top de linha, não tinha quem não soubesse suas letras. Pena que não pensavamos nas letras, quando cantamos essa música esses dias, a ficha caiu loucamente, como ela é a nossa vida aqui. A minha adolescencia que acabou há algum tempo e a desses jovens que estão chegando por aí... Essa música é muito feia, saber que ela é real é dificil, dói muito. Só aqui na onde moro, moram cerca de 1 milhão de pessoas, complicado né?? Isso porque estou falando só da região do Grajaú, Cocaia, Eliana, Vila São José... E não temos nada para fazer nos fins de semana, temos alguns projetos, mas que, infelizmente não dá para todos, nem para metade. Hoje, estando dentro de uma escola no bairro em que sempre morei, vejo que tudo está do mesmo jeito, quer dizer, nem tudo, a droga não era tão visada como é hoje. Poucos eram os usuários dentro das escolas, poucos eram os que traficavam, tinha-se muita bebida, mas adolescente sempre gostou de se mostrar e também sempre viu dentro de suas casas o uso, muitas vezes, abusivo do álcool. Hoje, em nome de uma vida vazia, temos uma molecada extremamente inteligente perdida no meio das drogas, mortos em assaltos em nome dessas viagens, dessas adrenalinas... Complicado ver que algumas coisas não mudam, só se acentuam... Parece que ninguém está a fim de olhar para nós aqui...

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