"Sou como você me vê... Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar!" (Clarice Lispector)

segunda-feira, 28 de março de 2011

Mais Clarice...

Não esqueço nunca. Mas há poucas coisas de que eu me lembre.

Sou irritável e firo facilmente. Também sou muito calmo e perdoo.

Sinto saudades de quem não me despedi direito, das coisas que deixei passar, de quem não tive mas quis muito ter.

Amor será dar de presente um ao outro a própria solidão?

Era cruel o que fazia consigo própria: aproveitar que estava em carne viva para se conhecer melhor, já que a ferida estava aberta.

Quando eu penso, estrago tudo. É por isso que evito pensar: só vou mesmo é indo.

Não me lembro mais qual foi nosso começo. Sei que não começamos pelo começo. Já era amor antes de ser.



Clarice Lispector

domingo, 27 de março de 2011

Iron Maiden

Pois é, pessoas especiais comemoram seus aniversários de formas mais especiais ainda... Além das minhas festinhas surpresas que foram lindíssimas, o Iron Maiden quis vir tocar no meu aniversário e eu não poderia dizer não né?? E já estou me preparando para a parte 2, que será a vez do Bono vir me ver... E ainda para fechar terei Rita Lee... Acho que vou entrar em estado alfa esse ano!
O show foi fantástico, sim, muitas músicas eram do novo cd, não tocaram Run To The Hills, o que me deixou extremamente frustrada, eu ia chorar por causa disso, mas eis que o Bruce me mandou um beijo! rs Daí não tinha mesmo como ficar triste... rs Eu gosto muito de Iron, mas confesso que ouvia mais há alguns anos, outras bandas foram entrando na minha vida e a "donzela" foi ficando para trás, o que foi um pecado muito grande, as letras são maravilhosas e cheias de literatura e história, a música é perfeita e os caras estão totalmente inteiros! O Steve Harris toca muitooooooooooooooooooooooooo!!! Eu queria que ele tivesse arremessado o baixo... rs Fora que depois de ter visto umas fotos dele com roupas estilo Beatlejuice, não consegui mais discenir a imagem dele da do Beatlejuice, quando ele aparecia no telão eu ficava rindo sozinha... Fiquei impressionada com a presença de palco do Bruce, ele corre, ele anda, ele grita, ele se emociona (essa parte foi linda!), ele canta e encanta a todos nós. Será uma pena quando ele resolver se aposentar... Eu quero ir de novo e de novo e de novo... Prestando mais atenção as letras descobri o quanto posso usar em sala de aula... Eu vou pirar mais do que os alunos, mas pelo menos eles terão medo de mim e não vão atrapalhar minha aula, que bom... rs
Meu pescoço tá doendo horrores de tanto ficar balançando a cabeça, como esses caras conseguem tocar daquele jeito sem a cabeça sair voando??? Fiquei pensando se tivesse visto esse show quando tinha uns 15 anos, acho que ia estar falando até hoje... Fico muito contente em saber que meu maior sonho de adolescência se realizou, que eu nunca me tornasse pagodeira e afins...
E, para variar a subversão tinha que estar presente em mim, só eu estava de camiseta branca naquele lugar... rs
Enfim, tudo perfeito, TUDO!
Uma música??? Hum... Ah, a que faltou...


quinta-feira, 24 de março de 2011

24 de Março de 2011

Dia tenebroso... Último dia de uma das melhores idades que tive na vida!! Achei que ia morrer aos 27 mas não rolou, puxa, nem assim consegui ser igual aos meus ídolos!! Brincadeira, por mais que ela seja dolorosa, eu gosto da vida e do movimento dela. Hoje estou mais estranha que o normal, um monte de coisa acontecendo e eu parecendo estar fora de órbita, como se fosse expectadora da minha própria vida, às vezes tenho receio do que virá pela frente, tem sido tanto tudo ao mesmo tempo agora que parece que não vai haver mais tempo para tudo... Estranha colocação, eu sei, mas vinda de mim é muito mais do que simples... rs
Essa é a última foto que tirei, acho que representa bem quem eu sou hoje, aos 27 anos, vou para os 28 com carinha de quem faz 21 (obrigada Senhor!!!), com mentalidade de quem tem 16 e com a imaginação de quem tem 7 e assiste Doug... Não sei se isso é bom ou ruim, mas me sinto bem tendo me tornado exatamente quem sou, quem gostaria de ser, não sei quem serei nos próximos anos, mas é aí que está a graça, nunca ter certeza de nada, isso me mantém viva. Passei muito tempo achando que as coisas precisavam estar seguras para que pudesse viver, que deveria ficar o tempo todo na política da amizade para não criar nenhum tipo de problema e as coisas não são assim, há um mês mais ou menos ouvi algo que mudou muito minha cabeça, é engraçado que já me disseram isso várias vezes durante a minha vida e eu nunca havia internalizado, até que ouvi e a ficha caiu... Mas acho que caiu porque quem me disse é uma pessoa que respeito muito e admiro mais ainda, uma pessoa que eu gostaria de me parecer quando virar professora. No dia estava conversando sobre o tal do "fale mal de mim, mas fale" e eu como sempre, disse que preferia ser esquecida a ser falada e essa pessoa, que é um professor que trabalha comigo e está nessa vida de sala de aula há mais de 25 anos e é o melhor professor que já vi dando aula em escolas (em faculdade o Emerson ganha sempre), por sua postura com relação aos alunos, suas aulas, como ele trata os funcionários e tudo mais. E ele disse que era bom que as pessoas falassem sim de nós mesmo que seja para falar mal, eu questionei o porquê e ele me contou determinados fatos da vida dele que foram difíceis mas que no final tudo deu certo, porque aquele que é verdadeiro acaba não caindo no mundo do mal, pois não precisa ser delatado, ele é o que é e foda-se o resto! Daí fiquei pensando em como alguém poderia ser tão do mal e falar tão mal de um profissional daquele porte, e caiu minha ficha em não me ligar muito se as pessoas vão me julgar, se vou encontrar algum inimigo na minha vida que vai fazer um pandemônio dela ou algo assim, eu sou o que sou e não tem o que mudar, quem quiser acreditar em mim, sempre estou aberta a vida e quem não quiser, que se lasque também... É difícil entender diversas coisas na vida, mas a que mais me afligiu durante todos esses anos se foi... Sempre fico lembrando dessa história para que não me perca em determinados pensamentos que minha mente doida fabrica...
Essa questão de nunca ter certeza de nada é complicada de ser aceita pela maior parte das pessoas. É difícil lidar com o incerto, com o novo, com aquilo que se cristalizou e quebrou, a desconstrução. Fico aqui pensando sobre muitas pessoas que percebem que seus relacionamentos acabaram e mesmo assim continuam insistindo no erro, chegando a agressão física, moral, emocional. Não é mesmo fácil se reconstruir depois de achar que aquilo seria para sempre, ficam muitas mágoas, muitas tristezas, muitas vezes não nos resta nenhum sorriso, mas o tempo passa e nos devolve tudo e mais um pouco, a vida é muito engraçada, ao mesmo tempo em que ela vai nos tirando ela vai nos dando... A graça está nisso, a falta de certeza do amanhã, o que me faz aproveitar muito todos os meus momentos, não é a toa que tenho tantas lembranças boas guardadas, algumas pessoas se foram, outras chegaram e todas ficam dentro desse meu coração do tamanho do mundo!! Não é a toa que tenho quase 2 metros de altura!! rs
E aqui estou eu, milhares de anos depois ouvindo Doors como se fosse a primeira vez, lembro que, quando era mais nova, passava as entradas dos anos com camisetas de banda para nunca deixar de ser roqueira, eu tinha um medo de começar a gostar de axé que era gigantesco! rs Mas deu certo, continuo com o melhor gosto musical do mundo! Agora passo as entradas de vermelho, afinal existem coisas na vida que precisam andar né?? rs
Enfim, acho que esse é meu último texto dessa idade tão tão bacana... Vamos ver como será essa que se aproxima, não gosto muito das minhas idades pares, tirando meus 16... rs Mas como é uma idade divisível por 7, acho que muita coisa irá acontecer... Yey!!
Uma música para essa idade... É difícil hein?? Quase impossível, mas quando pensei em colocar alguma música por aqui estava tocando uma que sempre me toca... O mundo é estranho mesmo, mas eu SEMPRE fico esperando pelo sol... Waiting For The Sun.

PS: É bom saber que a Gisele Morrison nunca morreu!

domingo, 20 de março de 2011

Vida Loca Vida

Sempre uso essa frase, ela está nos meus albuns de fotos, nas minhas palavras e agora aqui... Uma nova etapa se inicia na minha vida essa semana... Faço aniversário, não direi quantos anos pois depois dos vinte uma mulher não deve dizer mais sua idade... Mas estou novinha ainda... rs Dizem que esse ano, por esse um ano divisivel por 7 será um grande ano, uma amiga me disse que algo grande irá acontecer comigo esse ano e que geralmente acontece entre 3 meses antes e 3 meses depois do nosso aniversário... Enfim, os 3 meses antes se passaram, vamos ver o que me aguarda nos 3 depois... Para falar a verdade aconteceu algo sim antes do meu aniversário, algo que mudou um pouco minha rotina, minha vida, daquelas coisas que dizemos " aí sim fomos surpreendidos novamente!". É uma nova fase que se inicia, agora sim posso dizer que estou limpa de todo o meu passado ruim e posso dizer com toda certeza do mundo: e que limpeza!!! rs Agora só me resta esperar e viver da melhor forma possível, esperar de braços abertos a vida, as alegrias, as tristezas, as dores, os sorrisos... Estava cansada de não sentir mais nada e não conseguir sair dessa maré sem sentimentos... Sim, eu não sentia mais nada, era como se estivesse morta em minha própria vida, sem sentir absolutamente nada, só dores fisicas que apareceram por conta desse processo, quando coração se cala, o corpo fala não é?? Bom, só de pensar no show do U2 já me deixa numa felicidade extrema, é a realização de um sonho de quando eu tinha 15 anos, eu só queria ter a sorte de subir naquele palco e dançar com o Bono... Yey!! Que presente de aniversário hein??? rs Mas não, nem sonho, meu ingresso não é red zone... Se fosse o Bono correria o risco de se apaixonar por mim... Sabe como é, esses gringos adoram uma morena de cabelos cacheados... É legal às vezes ser exótica né?? Eu tenho muita sorte na vida, sempre digo que tenho muita má sorte, mas quando vou ver, as coisas andam sempre da melhor forma possível, eu que penso demais e acabo atrapalhando as situações... É bom quando algo que você não espera acontece, você fica abalada, sem coordenação, as pernas tremem, seu corpo parece reanimar... Até senti vontade de escrever uma poesia... Mas não, eu não escrevi, me faltam palavras... rs
Ontem tinha colocado o poema E agora José do Drummond, eu realmente estava cheia de questionamentos ontem e como disse no final do post, estava daquela forma naquele dia e que não saberia como estaria hoje... Hoje estou com sono, o que nunca é novidade, mas estou tranquila, em paz, renovada eu poderia dizer... É claro que amanhã poderei estar esquisita novamente, eu sou uma turbulência de sentimentos, mas por hoje está tudo ok aqui no reino da Gigi...
Uma música para hoje?? How Soon Is Now...

sábado, 19 de março de 2011

Um Drummond...

E agora, José?


A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José ?
e agora, você ?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José ?
 
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José ?
 
E agora, José ?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora ?
 
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora ?
 
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José !
 
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José !
José, pra onde ?

Carlos Drummond de Andrade


PS: Acho que me define por hoje... Por amanhã, eu não sei...

sábado, 12 de março de 2011

Um dia desses, ao ouvir um "seja você mesma", de repente senti-me entre perplexa e desamparada. É que também de repente me vieram então perguntas terríveis: quem sou eu? como sou? o que ser? quem sou realmente? e eu sou? Mas eram perguntas maiores do que eu.

Clarice Lispector in A Descoberta do Mundo.

"Tenho que ter paciência para não me perder dentro de mim: vivo me perdendo de vista. Preciso de paciência porque sou vários caminhos, inclusive o fatal beco-sem-saída".

Clarice Lispector in Um Sopro de Vida.

Persépolis

Que filme incrível! Aliás, que desenho incrível! O título tem como referência Persépolis, uma cidade histórica localizada no Oriente Médio, na região onde hoje se encontra o Irã. O filme é francês e conta a história de Marjorie Satrapi, uma garotinha que passa por várias tribulações no Irã, ditaduras imperialistas de grande Xás. Amigos de seus pais são mortos pela ditadura, seu tio é morto por ela. Marjorie é uma menina além do normal, questionadora, divertida, sofre muito com as pressões que a vida lhe dá, vai estudar em outro país, conhece pessoas bacanas mas também conhece o preconceito com sua nacionalidade, com seu comportamento, conhece o lado ruim dos homens, aliás de todos seus namorados, e o mais engraçado é que ela passa com eles o que passamos e vemos por aqui todos os dias, traição, babaquice, machismo... Não deve ser fácil viver num país em que você tem que você tem que andar completamente vestida, não mostrar seu rosto, ser tratada como objeto, como um nada e não poder falar. Ela me lembrou muito a garatinha Stella, quando ela era menina, toda espevitada, sincera, simples e, ao mesmo tempo, me lembra a garotinha do filme A Culpa é do Fidel... Bem lembrado... Deve ser muito estranho ser uma expatriada dentro de sua própria pátria. O bacana é a relação que ela tem com os pais dela, a avó dela, que meigo ela colocar flores dentro de seu sutiã para ficar cheirosa o dia todo... As avós sempre deixam as melhores lembranças né??
Tá aí um filme que trata de assuntos extremamente sérios e é super leve, nos faz ficar pensando sobre a sociedade, sobre o mundo por horas a fio.

Persépolis

título original: (Persepolis)
lançamento: 2007 (França, EUA)
direção:Vincent Paronnaud, Marjane Satrapi
atores:Chiara Mastroianni, Catherine Deneuve, Danielle Darrieux, Simon Abkarian.
duração: 95 min
gênero: Animação

Sinopse: Marjane Satrapi (Gabrielle Lopes) é uma garota iraniana de 8 anos, que sonha em se tornar uma profetisa para poder salvar o mundo. Querida pelos pais e adorada pela avó, Marjane acompanha os acontecimentos que levam à queda do xá em seu país, juntamente com seu regime brutal. Tem início a nova República Islâmica, que controla como as pessoas devem se vestir e agir. Isto faz com que Marjane seja obrigada a usar véu, o que a incentiva a se tornar uma revolucionária.

Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/persepolis/



quinta-feira, 10 de março de 2011

Simple Together

Nossa, como alguma música pode nos tocar tanto que sentimos tudo de novo a cada vez que a ouvimos? Sinto que não poderei mais ouvir Simple Together da Alanis Morissette. A música é perfeita, letra linda, tudo... Mas ao ouvir já senti uma vontade de regurgitar do tamanho do mundo. A ouvi num dos piores momentos que passei na vida, foi superado mas é claro que alguma coisa ia deixar... Ao sentir essa naúsea, eu lembrei muito do Alex do Laranja Mecânica, de quando ele ouvia uma certa canção e não conseguia cometer atos violentos. Como nossa mente é estranha e muitas vezes perversa né?? Puxa, vomitar ouvindo Alanis seria um desaforo, logo não ouvirei mais essa música, a dor que me vem não é a do coração e sim uma vontade imensa de vomitar. Cada um cura suas dores da maneira que consegue né?? E também acaba deixando certas válvulas que só a pessoa vai saber manejar depois. Acho engraçado como nosso cérebro nos mantém em vigilância o tempo todo, algo do tipo, "não mexa aí que vai te causar dor". Às vezes acho estranho ser se humano, pensar, ordenar, chorar, sentir... Mas, na maior parte das vezes acho isso fantástico, pena que só usamos "10% de sua cabeça animal"...

Ok, me despeço dessa singela canção para sempre!

Plebe Rude - Até Quando Esperar (Clássico Anos 80)