"Sou como você me vê... Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar!" (Clarice Lispector)

sábado, 15 de junho de 2013

A Culpa é das Estrelas

A chamada Lit-Sick, uma corrente literária que vem para "competir" com toda a fantasia que lemos nos dias de hoje com vampiros, anjos, zumbis, entre outros, que retrata vidas humanas normais, cheias de dúvidas, doenças, tristezas, suicídios, depressão, entre outros quesitos. 
A temática não é nova, durante a história da literatura tivemos diversas obras que tinham essa temáticas e que os jovens ficavam e ainda ficam enlouquecidos com esses livros, como Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe. Livros que nos fazem chorar, livros que nos fazem relembrar casos que já passamos, livros que nos ajudam a superar determinadas fases da vida, principalmente quando estamos na adolescência. Não, não são livros de auto ajuda, são livros que nos mostram coisas interiores de seus personagens, coisas que pensamos e vivemos que não colocamos para fora, são as nossas paixões arrebatadoras, são as nossas questões internas, são as nossas dificuldades perante a morte e a vida. Eles não definem nossas vidas, só nos fazem viajar. Dentre esses livros podemos citar As vantagens de Ser Invisível, O Lado Bom da Vida e A Culpa é das Estrelas.
A Culpa é das Estrelas foi escrito por John Green, escritor estadunidense que está fazendo muito sucesso com seus livros. A obra retrata a vida de uma adolescente (Hazel) que tem câncer e é uma garota muito reclusa e que passa a maior parte de seu tempo lendo. Sua mãe, preocupada com a reclusão da filha a faz frequentar um grupo de apoio para troca de experiências sobre o câncer. Um belo dia Hazel, conhece Gus numa dessas reuniões e eles passam a viver algumas histórias e experiências que possivelmente não viveriam por conta de sua limitações. Eles passam a viver um amor desses que nos arrancam lágrimas e soluços, Gus faz coisas inimagináveis por Hazel, faz com que a vida singela deles passe a ter um colorido todo especial e um apreço maior pela vida. 
Um livro que nos faz chorar do começo ao fim, como a postagem não está com Spoilers, não é permitido dizer o que vai acontecendo de tão triste e emocionante no enredo, mas é daqueles livros que sentamos e lemos no mesmo dia e ficamos sentindo-o durante dias a fio. Conseguimos entrar dentro dos personagens e sentir como eles, aprendemos a ver a morte mais de perto, aprendemos que a vida, muitas vezes, é feita de pequenos e infinitos momentos e que precisamos olhar melhor para que esses momentos se tornem eternos.



Morte Súbita

Livro escrita por J. K. Rowling, a famosa escritora do Harry Potter nos trás questões totalmente diferentes das que estávamos acostumados a ler. É seu primeiro livro escrito para adultos, nada de bruxos, nada de vilões, nada de bichos estranhos ou corujas. Ele retrata simplesmente a sociedade. A trama está localizada na Inglaterra nos dias de hoje e começa com a morte de um líder, nada grandioso, um líder comunitário, que acreditava em seu trabalho e lutava por ele, e, mesmo assim, também cometia infrações que não são bem vistas aos olhos da população.
Podemos colocar plenamente a história dentro de qualquer sociedade do mundo moderno. Pessoas que pensam em seu próprio interesse e que não tem limites em prejudicar o próximo em favor de seus desejos, muitas vezes esdrúxulos. Famílias que vivem de aparência, o mundo das drogas e seus males e a falta de cuidado e direcionamento com os usuários, filhos que andam a solta, a mercê do que o mundo, um vizinho ou um parente possa oferecer. Um mundo doente, que não consegue solidarizar-se nem com a morte.
A leitura é extremamente interessante, podemos fazer diversas conexões com o que passamos todos os dias, inclusive em nossas vizinhanças. Talvez uma obra que será pouco lida, por não apresentar um romance como estamos acostumados e uma trama em que não saberemos o que pode acontecer. Os personagens estão a mercê deles mesmos, de suas atitudes, de sua falta ou não de humanidade. Como vivemos diariamente.


quarta-feira, 27 de março de 2013

27 de Março de 2013


Difícil não ouvir Legião Urbana e não ter milhares de coisas na mente. Há quem odeie, há quem ame... Eu sou do grupo daqueles que amam, daqueles que ouviram essas canções e sentiram exatamente aquilo que o Renato Russo sentia, que se perdiam no mundo, que se encontravam dentro dessas letras maravilhosas, que chorava as desilusões do mundo, as desilusões amorosas, os questionamentos sobre tudo, as descobertas, as verdades e as mentiras...
Março me é um mês bem complicado, meu aniversários, milhares de datas felizes e infelizes e o aniversário daquele que esteve presente em todos os meus momentos, principalmente os mais complicados, os mais tristes... Confesso ouvir muito pouco, assim como muitos dos meus heróis, mas por falta de tempo, a vida vai tomando rumos e vamos ficando longe daquilo que somos, daquilo que um dia fomos, até do que somos hoje por conta de empregos que só nos fazem desejar a sexta e o fim de semana... Ao ouvir as músicas dessa banda começo a repensar coisas, como foi minha juventude, como a juventude de hoje está perdida "a juventude está sozinha, não há ninguém para a ajudar a explicar porque que o mundo é esse desastre que aí está", sim, eu sei todas as letras, sim, repetindo, todas as letras e sempre cito em tudo, porque ainda me trazem diversos sentimentos e sensações... É engraçado que hoje eu tenho coisas bonitas para contar e mesmo tendo ainda muito tempo pela frente... Me emociona falar dele, me emociona lembrar de suas canções... Me emociona ter um aniversário tão perto do dele, de ter o mesmo signo que ele, de querer ter sido ele...

sábado, 23 de março de 2013

Carcereiros

O livro Carcereiros, escrito pelo médido Drauzio Varella, já conhecido pelo seu outro livro chamado Carandiru, que se tornou um dos melhores filmes do cinema brasileiro, trabalho durante muitos anos como médico voluntário dentro dos presídios paulistas e, com isso, fez muitos amigos lá dentro, além de ouvir e passar por diversas histórias, que ele relata em seu novo livro.
São histórias que nos deixa estarrecidos, acho que muitos de nós nunca pensamos na vida dos carcereiros, como chegam a esse posto, porque escolhem isso, como lidam com os presos, com a polícia, enfim, com o sistema.
Muitos deles vieram de vida simples e prestaram concurso para tentar uma vida mais amena, muitos deles nem sabiam o que iam encontrar, outros passaram tanto tempo na carceragem que conseguiram ver o quanto a polícia e os tipos de presos, além do respeito pelos seres humanos mudaram.
Todos eles passaram por rebeliões, alguns por sessões de tortura, outros eram amigos dos presos, uma boa tática para não serem agredidos no dia a dia. O autor faz uma comparação desses carcereiros juntamente com a vida dos presos, pois, por mais que eles saiam de lá e vão viver suas vidas depois do dia de trabalho, eles ficam presos, naquele ambiente insalubre, sem vida, cinza, vendo vidas que vão passando, pois muitos dos presos são jovens e ao invés de terem uma vida de liberdade estão encarcerados e perdendo os melhores de seus anos. 
Além das histórias muito bem escritas e curiosas, podemos começar a repensar a questão dos presidiários e as condições em que eles vivem, nas cadeias do nosso país não há como reformar esses homens, não há iniciativa de que eles estudem, trabalhem, para ganhar o próprio sustento de suas famílias que ficaram do lado de fora, além de uma chance para que o preso, ao sair, possa ter uma vida fora da criminalidade, recuperar sua dignidade e seguir em frente, com novos valores e conhecimentos. Depois do episódio dos 111 presos mortos na década de 90, podemos ver que a formação de facções dentro dos presídios está cada vez maior e cada vez mais perigosa, tendo em vista a quantidade de assassinatos de policiais no ano de 2012, isso em São Paulo, fora o que já vemos em outros estados, como o Rio de Janeiro, por exemplo, que tem a formação do comando vermelho desde fins da década de 70.
Vivemos de resquícios mal feitos da nossa ditadura, dos governos anteriores, como do próprio Getúlio Vargas, de épocas imemoriais em que tudo se resolvia (ou se revolve?) na porrada. Que nos gera problemas gigantescos, que vemos em todos os dias nas nossas vidas. Principalmente para quem mora na periferia de São Paulo.

sexta-feira, 22 de março de 2013

O Lado Bom da Vida

O livro, O Lado Bom da Vida, escrito por Matthew Quick, que foi professor e depois de uma viagem até a América do sul resolveu escrever e entrar em outra conexão com o universo, é um daqueles livros que achamos que não haverá conexão alguma com qualquer, que é um simples livro de auto ajuda ou algo nesse sentido. O que nos deixa totalmente enganados, é um livro maravilhoso, daquele que sentamos e vamos lendo sem ver o tempo passar, repensando algumas coisas de nossas vidas, refletindo sobre a loucura, a perda, o amor, o desamor, a traição, a amizade, família e até em jogos de futebol americano.
O livro conta a história de Pat, que teve um casamento decepcionante e por conta de uma traição acabou indo parar num hospital psiquiátrico, passando alguns anos de sua vida sem se lembrar de seu grande trauma e achando que saindo de lá voltaria a estar com sua esposa. Com o passar do tempo, sua mãe vai buscá-lo no hospital e o leva para casa, onde ele recomeça do zero, sem emprego, com uma família desestruturada, pois seu pai não consegue se carinhoso com ele, nem com seu irmão e muito menos com sua esposa, que faz de tudo para que Pat possa se sentir bem e recuperar-se de seu trauma. Pat, durante a estadia no "lugar Ruim" como ele mesmo menciona no livro, começou a malhar para que ficasse com o corpo igual ao de quando conheceu sua esposa e ao sair da clinica mantém o hábito. Num jantar na casa de um amigo, conhece Tiffany, que passou por problemas tão ruins quanto os dele e estava lutando para sair de sua depressão. Eles passam a corre juntos e se tornam amigos. Tiffany se apaixona por ele e com isso lhe faz uma proposta que Pat começa a achar que pode mudar sua vida e enfim voltar com sua esposa. O tempo passa e algumas mentiras vão aparecendo, quando, num relance, ele começa a se lembrar do porque ter ficado tanto tempo numa clínica psiquiátrica e a romper com seu passado iniciando um futuro que já estava ali presente há um certo tempo.
A história pode não parecer muito comovente, mas quando começamos a ler podemos ver tamanha profundidade e peculiaridades que não achamos tão facilmente, podemos ver intertextos dentro da obra, ele cita diversos livros, livros que podemos levar para nossas vidas, em sua maior parte tristes, mas quem disse que a vida pode ser sempre feliz? É preciso analisar porque o autor colocou justamente essas obras para conversar com o personagem principal. Podemos ver, dentre os diversos livros, O Apanhador no Campo de Centeio, que nos ajuda a ver o quanto podemos estar perdidos e o quanto a vida é simples, é um livro maravilhoso, que pode ser lido por qualquer idade, mas que faz a total diferença quando o lemos quando somos novos, quando ainda temos diversas duvidas e sonhos. Podemos ver que Pat está passando por isso, e que ler o livro talvez o ajude a se reencontrar. Pat fica triste ao ver que todos esses livros sao tristes até entender que muitas vezes eles só estão por aí para nos falar mais sobre nós mesmos, sobre as épocas em que vivemos, sobre o que o mundo nos diz. Além de canções que marcaram sua história e que são elos para que ele retome sua vida e saia da crise.
Além do livro, há o filme, que foi recentemente lançado no cinema, claro que não é fiel a obra, mas não deixa de ser um filme magnífico, que desperta a curiosidade para a leitura do livro e se apaixonar cada vez mais pela história do nosso querido Pat People.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

As Vantagens de Ser Invisível

O livro As Vantagens de Ser Invisível, de Stephen Chbosky, que é um autor estadunidense, que, além de escritor também é cineasta é um livro incrível, que fala sobre muitas questões que passamos no correr da adolescencia, medos, desilusões, encontros, desencontros, alegrias, tristezas... 
Num primeiro momento ele pode parecer ser meio bobo, mas é de uma profundidade imensa, ele é escrito em cartas, onde o narrador Charlie, conta sua vida durante um ano para uma pessoa que ele não conhece e provavelmente nunca vá conhecer. Charlie passou por momentos delicados em sua vida, um garoto fechado, sem amigos e seu único amigo comete suicídio e ele nunca descobre o a causa, já que seu amigo se foi sem nunca deixar margem do que possa ter lhe causado tanta dor.
Ao inicia o Ensino Médio, Charlie encontra um casal de irmãos (Patrick e Sam) e logo vira amigo deles, passando a viver histórias encantadoras e a finalmente começar a fazer parte de um grupo, Charlie se apaixona por Sam, a irmã, mas acaba namorando outra garota do grupo e por conta disso acaba armando problemas que ele não consegue resolver prontamente, assim como todos nós já passamos ou vamos passar por esse tipo de situação. Ele volta a se isolar, voltando a amizade com os amigos com o passar do tempo, ao defender seu amigo de problemas com relação a preconceito. Além da temática morte, temos também a questão do homossexualismo, já que Patrick é gay e tem um caso com outro garoto que tem namorada e é popular, além de ser daqueles machões jogadores de futebol americano. Patrick vai a diversos lugares onde se pode encontrar um par, podemos perceber que a sociedade, tanto a estadunidense quanto a nossa, ainda é muito preconceituosa com relação a esse assunto. E talvez uma das temáticas mais dramáticas e complicada da trama se encontra na questão do abuso sexual tanto em mulheres quanto a pedofilia, suavemente isso é falado no livro, como são cartas, Charlie tenta ser o mais fiel sem ofender seu leitor e, ao ler, ficamos estarrecidos com o fato e como a mente humana pode esconder determinadas coisas que passamos durante a infância, trazendo a tona com apenas um gesto.
O que mais impressiona na leitura são os livros que Charlie lê durante o romance e as músicas que escuta. Seu professor de Inglês vê seu potencial e lhe dá livros maravilhosos para que ele leia e faça trabalhos em cima desses livros, leituras que são maravilhosas para se aprender mais sobre a vida e superar anos que podem ser os melhores, mas também o mais carregados que possamos ter. Não são livros de auto ajuda, como temos visto nas livrarias e sim clássicos da literatura universal, como O Apanhador no Campo de Centeio, Hamlet e On The Road. As músicas que ele escuta e costuma gravar em fitas K7, sim em fitas k7, são lindas, sua banda predileta é The Smiths, com suas letras tristes, mas que falam exatamente o que estamos sentindo em determinados momentos.
Por fim, Charlie, depois de uma grande crise decide ir viver, decide conhecer outros mundos e outras pessoas, fazer sua vida valer a pena e superar seus medos e fracassos, como todos nós acabamos fazendo em algum momento de nossas vidas.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A Hospedeira

O romance foi escrito por Stephanie Meyer, a autora consagrada pela saga Crepusculo, que foi ao cinema e conquistou milhares de leitores e também, como era de se esperar, milhares de criticas. Publicado em 2008 já vendeu inúmeras copias pelo mundo e agora irá para as telonas.
Meyer é estadunidense e formada em literatura inglesa e A Hospedeira é sua primeira obra que foge da temática presente em Crepusculo. O livro é uma ficção cientifica que tem um belo romance em seu enredo e com inúmeras dificuldades, o que nos faz refletir sobre muitos aspectos humanos e muitas de nossas atitudes.
Por mais que seja um livro de leitura fácil e uma história que não é tão surpreendente, pois muitos já falaram sobre a vinda de outros seres para a terra, de destruição da humanidade, entre outros, ela inova nos transformando em hospedeiros de "almas" alienígenas, que vem se "hospedando" em outros seres em vários outros planetas, como de golfinhos, aranhas e flores. para eles a experiência é única, pois nunca sentiram as emoções que os humanos sentem e eles tem um agravante que não temos, a bondade. Eles não precisam pagar por suas compras, não ultrapassam o limite de velocidade, não mentem e ajudam uns aos outros. É claro que temos o outro lado da moeda, nós, os humanos, perdemos nossos corpos e sumimos para sempre desse mundo sem fim. Alguns não saem dos seus corpos, convivem juntamente com esses parasitas alienígenas e são chamados de rebeldes, pois são tão fortes que não saem do seu próprio corpo com facilidade, é isso que acontece com Peg e Melanie. Peg se hospeda no corpo de Melanie que se recusa a sair e as duas passam a conviver no mesmo corpo, vivendo os mesmos sentimentos. Com isso elas passam a correr atrás dos humanos que Melanie tanto ama, que estão escondidos e não as acolhe da melhor maneira possível e aí se inicia a trama que dá inúmeras voltas fantásticas, inclusive algumas reflexões, sobre nós humanos, sobre o que é ser humano, porque é tão fantástico e porque é tão triste também... 
Caimos mais uma vez na questão do amor, foi ele quem levou Melanie a não sair de seu corpo e, de certa forma, fazer com que Peg fosse buscar os entes de sua hospedeira. E por amor a eles, temos diversos sacrifícios, diversas discussões... O amor pelo outro, que quase não mais vemos por aí, o amor pela vida, a garra de querer estar consigo quando vemos as pessoas enxergarem só o próximo, apontar somente o que o próximo tem de melhor ou pior e sem olharmos para nossas virtudes e tristezas... É um romance para que possamos olhar dentro de nós e vermos o quanto somos importantes... Não é auto ajuda, longe disso, mas as leituras precisam despertar alguma coisa dentro da gente e essa história não é melosa como crepúsculo, ela é mais densa e mais pesada também... Há quem não acredite em vida longe da terra, mas será que não seria muita pretensão pensar que estamos sós??

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O mundo se Despedaça

Sim, nesse livro podemos ver um mundo se despedaçar completamente, se emocionar com uma vida que hoje não se vê com muita facilidade na África, depois da partilha e da colonização europeia... Uma história que, muitas vezes, nos dará lágrimas, tristezas, incertezas e revolta... Uma cultura que em muito se difere da nossa e ao mesmo tempo tem elementos que estão presentes o tempo todo, como certas crenças, certas frases... Afinal, também somos África não é? O final que temos é surpreendente e também de muito impacto, assim como cada paragrafo, cada frase, cada vida presente nesse romance.

O livro O Mundo se Despedaça, Companhia das Letras, 2009, publicado pela primeira vez em 1958, pouco antes da independência da Nigéria, se tornou um dos livros mais importantes da literatura nigeriana moderna e escrito pelo autor nigeriano Chinua Acheb, que é dos autores africanos mais conhecidos do século XX e suas obras apresentam a influencia da cultura ocidental na africana.
A leitura é linear e tranquila. O romance conta a historia de Okonkwo, um guerreiro de etnia Ibo, em Umuofia, que se encontra no sudeste da Nigéria. A história acontece em torno de sua vida, além de elencar diversos aspectos da vida africana cotidiana, como seus costumes, cultura e religião e a transição da entrada da cultura europeia, assim como sua religião na Africa.
Podemos ver inúmeros detalhes com relação a cultura africana, em como a oralidade se fazia presente e os membros da sociedade eram respeitados, principalmente a sabedoria dos mais velhos, assim como suas punições, já que Okonkwo comete um delito, e mesmo sendo acidentalmente, ele tem que pagar por isso, assim como sua família, que precisa estar onde ele estiver. Depois desse fato, o protagonista volta para o seio da família de sua mãe, que é o que acontece com famílias matrilineares, que giram em torno das mães, por isso que poucas mulheres eram escravizadas e trazidas para de lá, elas eram muito mais importante lá em suas terras de origem do que em outros lugares.
A importância dos grandes chefes e guerreiros pode ser vista de forma muito clara, são eles que aconselham e dizem como os outros devem agir. O grande sonho de Okonkwo era se tornar um deles, já que seu pai foi considerado um fraco e ele não queria ter o mesmo destino, mas se perdeu quando comete o assassinato de um membro de seu clã, ficando afastado por sete anos de sua terra e suas riquezas. Ele foi aceito quando o tempo passou, afinal seu delito foi acidental, mas mesmo assim muita coisa se perdeu durante esses anos de reclusão, inclusive a entrada do homem branco na Africa, algo que lhes parecia exótico, pois o único contato que tinham era com homens albinos. Esses homens brancos foram chegando e impondo seus costumes, religião, sobrepondo suas crenças acima das crenças africanas, que foram cada vez mais diminuindo e sendo feitas em locais cada vez mais isolados, em florestas.
Sua alimentação básica é o inhame, Okonkwo tem sua plantação que é grande e ele consegue manter todas as suas famílias através dela, o que representa que ele era um homem de grande renda, já que na cultura africana só pode ter várias esposas aquele que consegue sustentá-las muito bem e há uma hierarquia entre elas, diferença entre as idades e outros quesitos.
Num primeiro momento as crianças africanas andavam juntas com as europeias, mas os europeus foram tomando cada vez mais espaço e tendo cada vez mais adeptos africanos em sua religião e modo de pensar, pois os europeus lhes oferecia educação, comida e outros atrativos que eles não tinham, muitos que passaram a seguir essas novas doutrinas foram rechaçados por seus pais, pois eles acreditavam que o europeu estava errado e estava corrompendo seu povo. Muitos passaram a se isolar em florestas para continuar a realizar seus ritos e crenças, ficando cada vez mais longe do homem branco.
Okonkwo é um oposicionista dos missionários, ele não conseguia acreditar na quantidade de conterrâneos que se converteram ao cristianismo, no entanto que, no final da obra, ele comete suicídio depois de matar um branco. O mais interessante nessa cena é o que seus companheiros fazem justamente quando ele morre, segundo os ritos, quando se comete suicídio ninguém pode tocar em seu corpo e fazer seu enterro e eles pedem para o os homens brancos o faça.
O que mais nos toca nessa obra é ver a transição e transposição de uma cultura sobre a outra. A perca dos costumes, a intolerância da policia europeia com os habitantes, a perca de memoria do povo, já que eles tem uma cultura totalmente oralizada, as experiencias, o aprender com os mais velhos.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Os Fantasmas Se Divertem

E não, não é um post sobre o filme... Que aliás eu preciso rever... É sobre fantasmas que insistem em estar em nossas mentes e vidas por muito tempo, não porque deixamos que eles fiquem nos enchendo de medo, mas porque não há nada nessa vida que os faça sumir de nós... Seja pela falta de alguma realização, seja pela consciência que ficou culpada por algum acaso... Alguns conseguem prosseguir com esses fantasmas numa boa, eles ficam ali escondidinhos nas mentes e depois se vão, outros tentanto procurar pelo inferno dos outros, que é o que eu mais vejo, é um tal de apontar o dedo para o outro que as coisas chegam a ficar desenfreadas. Não posso dizer que nunca apontei o dedo para alguém, mas nada que possa ter magoado, pois apontei dentro de mim, não acho que sou a fodona para ir até a pessoa e dizer quais são seus defeitos e as merdas que ela está fazendo sem que haja uma permissão prévia como muitas pessoas já fizeram comigo numa tentativa de fugir de si... Ao contrário, eu não fujo de mim. Eu não posso fazer isso. Se fugir as coisas vão ladeira abaixo e começo a viver a vida dos outros e não a minha... E por pior que seja, pelo menos eu tenho a minha vida, os pesadelos e as tristezas são meus... Que graça tem viver a vida dos outros?? Que muitas vezes é tão triste ou mais triste que a minha... As pessoas tendem a mostrar aquilo que possam colocá-las acima dos outros mortais, é uma eterna briga onde todo mundo quer ser herói de alguma coisa, herói de alguém e não conseguem nem ser heróis de si... Simplesmente porque não conseguem nem olhar para si mesmos diante do espelho, não digo olhar para fazer a barba ou passar um batom, mas para ver as rugas surgindo, as preocupações, o tempo passando, a vida andando ou estagnada... É difícil né? É ruim nos encarar no espelho e ver uma imagem cheia de conflitos e dores, é difícil saber que temos defeitos e que temos um monte de coisa ruim para contar... Eu não sei deixar de repensar minha vida... Estou chegando aos 30 e estou vendo um monte de merda que fiz na vida, quantos caminhos eu pude seguir, quantas coisas eu poderia ter feito, quantas pessoas eu deixei de lado e quantas eu valorizei sem que precisasse, quantos avisos eu ignorei, quanta coisa deixou de acontecer... E quanta coisa aconteceu, sejam boas ou ruins... Mas muitas vezes quando queremos muito uma coisa acabamos ficando cegos para o restante do mundo, lutamos em prol de uma coisa só e esquecemos o restante... "E agora pago os meus pecados por ter acreditado que só se vive uma vez..." Grande Gessinger, o cara que sempre tem algo sobre meus pensamentos para dizer... 
Tive um sonho horrível essa noite, mostrando a bagunça em que minha mente se encontra, por incrível que pareça quero voltar a trabalhar, vou me sentir melhor e com outros fantasmas correndo solto dentro da minha mente... Afinal não dá para ser tão egoísta e achar que eles vão ficar sozinhos né? Tem coisas que só a minha mente trás... Enfim, enquanto isso eles se divertem e eu vou seguindo como posso, podendo olhar sempre no espelho e vivendo da melhor forma possível...
Esse ano promete...