Sim, nesse livro podemos ver um mundo se despedaçar completamente, se emocionar com uma vida que hoje não se vê com muita facilidade na África, depois da partilha e da colonização europeia... Uma história que, muitas vezes, nos dará lágrimas, tristezas, incertezas e revolta... Uma cultura que em muito se difere da nossa e ao mesmo tempo tem elementos que estão presentes o tempo todo, como certas crenças, certas frases... Afinal, também somos África não é? O final que temos é surpreendente e também de muito impacto, assim como cada paragrafo, cada frase, cada vida presente nesse romance.
O livro O Mundo se Despedaça, Companhia das Letras, 2009,
publicado pela primeira vez em 1958, pouco antes da independência da
Nigéria, se tornou um dos livros mais importantes da literatura
nigeriana moderna e escrito pelo autor nigeriano Chinua Acheb, que é
dos autores africanos mais conhecidos do século XX e suas obras
apresentam a influencia da cultura ocidental na africana.
A leitura é linear e tranquila. O romance conta a historia de
Okonkwo, um guerreiro de etnia Ibo, em Umuofia, que se encontra no
sudeste da Nigéria. A história acontece em torno de sua vida, além
de elencar diversos aspectos da vida africana cotidiana, como seus
costumes, cultura e religião e a transição da entrada da cultura
europeia, assim como sua religião na Africa.
Podemos ver inúmeros detalhes com relação a cultura africana, em
como a oralidade se fazia presente e os membros da sociedade eram
respeitados, principalmente a sabedoria dos mais velhos, assim como
suas punições, já que Okonkwo comete um delito, e mesmo sendo
acidentalmente, ele tem que pagar por isso, assim como sua família,
que precisa estar onde ele estiver. Depois desse fato, o protagonista
volta para o seio da família de sua mãe, que é o que acontece com
famílias matrilineares, que giram em torno das mães, por isso que
poucas mulheres eram escravizadas e trazidas para de lá, elas eram
muito mais importante lá em suas terras de origem do que em outros
lugares.
A importância dos grandes chefes e guerreiros pode ser vista de
forma muito clara, são eles que aconselham e dizem como os outros
devem agir. O grande sonho de Okonkwo era se tornar um deles, já que
seu pai foi considerado um fraco e ele não queria ter o mesmo
destino, mas se perdeu quando comete o assassinato de um membro de
seu clã, ficando afastado por sete anos de sua terra e suas
riquezas. Ele foi aceito quando o tempo passou, afinal seu delito foi
acidental, mas mesmo assim muita coisa se perdeu durante esses anos
de reclusão, inclusive a entrada do homem branco na Africa, algo que
lhes parecia exótico, pois o único contato que tinham era com
homens albinos. Esses homens brancos foram chegando e impondo seus
costumes, religião, sobrepondo suas crenças acima das crenças
africanas, que foram cada vez mais diminuindo e sendo feitas em
locais cada vez mais isolados, em florestas.
Sua alimentação básica é o inhame, Okonkwo tem sua plantação
que é grande e ele consegue manter todas as suas famílias através
dela, o que representa que ele era um homem de grande renda, já que
na cultura africana só pode ter várias esposas aquele que consegue
sustentá-las muito bem e há uma hierarquia entre elas, diferença
entre as idades e outros quesitos.
Num primeiro momento as crianças africanas andavam juntas com as
europeias, mas os europeus foram tomando cada vez mais espaço e
tendo cada vez mais adeptos africanos em sua religião e modo de
pensar, pois os europeus lhes oferecia educação, comida e outros
atrativos que eles não tinham, muitos que passaram a seguir essas
novas doutrinas foram rechaçados por seus pais, pois eles
acreditavam que o europeu estava errado e estava corrompendo seu
povo. Muitos passaram a se isolar em florestas para continuar a
realizar seus ritos e crenças, ficando cada vez mais longe do homem
branco.
Okonkwo é um oposicionista dos missionários, ele não conseguia
acreditar na quantidade de conterrâneos que se converteram ao
cristianismo, no entanto que, no final da obra, ele comete suicídio
depois de matar um branco. O mais interessante nessa cena é o que
seus companheiros fazem justamente quando ele morre, segundo os
ritos, quando se comete suicídio ninguém pode tocar em seu corpo e
fazer seu enterro e eles pedem para o os homens brancos o faça.
O que mais nos toca nessa obra é ver a transição e transposição
de uma cultura sobre a outra. A perca dos costumes, a intolerância
da policia europeia com os habitantes, a perca de memoria do povo, já
que eles tem uma cultura totalmente oralizada, as experiencias, o
aprender com os mais velhos.

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