Ouvir essa música tão tarde só pode dar em dor... Aquela eterna dor que insiste em nunca ir embora... Que achei que passaria com a adolescência, mas ela continua aqui... Um vazio... Fica ali, rondando, rondando e nunca vai... Tira dias de folga mas volta, com toda a sua força e grandeza... Queria ter um cigarro por perto, mas eu nem fumo, senti uma vontade imensa de sentar numa sala que não é a minha, com um livro que não é meu e acender um cigarro, pegar um copo de whisky e deleitar o momento, um momento tão solitário, mas tão cheio de tudo, de significação, de significado. Às vezes momentos solitários são tão difíceis de acontecer, precisamos chorar, precisamos sorrir, mas não podemos, porque resolvemos vestir uma máscara e ela precisa funcionar, precisamos ser aquilo que a sociedade quer que sejamos... Não podemos chorar, não podemos estar sozinhos, não podemos relaxar... E com isso vamos nos machucando, nos corroendo, nos consumindo dentro de nós mesmos e nos perdendo da nossa essência, dos nossos sonhos, dos nossos valores e aprendemos a não mais tentar romper com o mundo... Com a pseudo vida...
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