"Sou como você me vê... Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar!" (Clarice Lispector)

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

The Wall

Sim! Depois de milhares de anos eu vi o filme The Wall pela primeira vez... Fantástico... Ainda mais agora que estou lendo uma biografia do Pink Floyd, algumas coisas no filme parecem fazer mais sentido do que se tivesse visto sem alguma prévia... Como a cabeça de uma pessoa consegue pensar naquilo tudo?? Eu não sei... Mas sei que me apareceram diversas questões, adolescência, drogas, depressão, sonhos, pesadelos, escola, pais, traíção, ditadura... É o tipo de filme que você pode mostrar em diversas ocasiões... Desde uma crítica ferrenha ao sistema de ensino, a massificação de pessoas, o que são as cenas dentro da escola?? É engraçado porque se tenta mesmo, até hoje fazer com que as pessoas sejam iguais, com que pensem iguais e calem suas bocas. Muitas cenas relacionadas a escola me lembrou um clipe do Ramones, do alunos destruindo a escola... E muitos outros filmes, clipes, músicas e poesias... Acho que todo mundo acabou vendo The wall e tomando algo para si diante dele... Podemos ver como as guerras mundiais alteraram a cabeça das pessoas, como grandes ditadores nos reprime e nos faz ter medo que isso possa voltar a acontecer... Parece que o mundo está dentro desse filme...
 
A escola sempre está presente em nossas vidas, é nosso primeiro contato com o mundo, mesmo que não seja igual ao mundo que enxergamos lá fora, pois a escola é atrasada em relação a sociedade, é ela quem nos dá nossos primeiros sentimentos, sejam eles de amor ou de ódio... Antigamente as escolas eram totalmente autoritárias, os alunos precisavam entrar na linha ou apanhavam, eram humilhados e banidos desse convívio. Algumas coisas mudaram, mas ficaram também muito banalizadas... Continua esquecendo o que é ser adolescente, continua esquecendo que a sociedade anda cada vez mais rápido, que a escola nunca foi e nunca será somente o recanto onde se aprende somente matérias que nos treinam para o ensino superior e o trabalho. Ela nos prepara para a vida, ela nos direciona, ela que muitas vezes nos dá carinho, comida, afeto... Infelizmente... Não sei dizer se as famílias sempre foram falidas e que simplesmente hoje isso nos é mostrado mais escancaradamente, mas posso dizer que em todos os momentos somos condicionados a fazer nossas escolhas, que sempre estão nos vendendo algo, nos fazendo pensar que nosso pensamento é o certo, mas será que ele o é?? Muitas das nossas relações com a nossas mães determinam muito daquilo que pensaremos quando crescermos... Seja para negar tudo aquilo que ela foi, seja para chamar a  atenção dela, para fazer igual... É estranho... Somos condicionados até nisso, já não nos chega o sistema...

Adorei a cena do ditador no filme, me pareceu uma tentativa de como se constrói um ditador... Até porque, pelo que vemos de Hitler, em alguns momentos em sua vida ele foi meio patético e o povo precisava de algo nesse sentido para achar um caminho para poder sobreviver... Quem somos nós?? Reles mortais perdidos nesse mundo e talvez nunca saberemos quem somos, o que somos, o que seremos... Eu sempre repito uma frase do Raul Seixas "Que pena não ser burro, não sofria tanto". Queria poder achar que essa manipulação toda é mentira que os comunistas inventaram para tomar o poder... rs Queria poder chegar em casa e estar satisfeita com o mundo, com meu salario mediocre, com a minha TV e sem vontade alguma de prosseguir com estudos, livros e boa música... Quando você passa a ver determinadas coisas, fica dificl se desvencilhar delas e seguir como se nada tivesse acontecido, é uma guerra diária, pois eu não vou conseguir mudar o mundo, posso transformar algumas coisas ao meu redor, mas tudo, por mais que eu queira o mundo e o queira agora, não conseguirei...
As músicas dentro do filme ficaram mais do que perfeitas... É de se arrepiar o tempo todo...
A loucura, o caos, o amor e o ódio sempre andam em perfeita simetria nas relações... É engraçado, pois é preciso que exista esse tipo de equilibrio para que o mundo possa caminhar da melhor forma possível e que bom que temos coisas diferentes e pessoas que pensam e sentem de formas e jeitos diferentes... Mas tudo em demasia pode ser um tiro fora de hora... No momento em que o personagem principal fica "maluco beleza" é horrível... E em alguns momentos da vida ficamos perdidos um tanto assim e vamos nos transformando, algumas vezes enlouquecendo mais ainda, outras entrando em momentos de lucidez que fica dificil voltar a sermos o que éramos antes...

Enfim, fantástico!

The Wall

Título original: (Pink Floyd - The Wall)
Lançamento: 1982 (Inglaterra)
Direção: Alan Parker
Atores: Bob Geldof, James Laurenson, Eleanor David, Kevin McKeon.
Duração: 95 min
Gênero: Musical

Sinopse: As fantasias delirantes de um superstar do rock, que enlouquece lentamente em um quarto de hotel.

Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/pink-floyd-the-wall/

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