"Sou como você me vê... Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar!" (Clarice Lispector)

domingo, 17 de janeiro de 2010

Humberto

Acho engraçado como as pessoas podem nos influenciar, acho que muito do que sou, do que fui influenciada vem da musica, em especial do rock. Estava aqui lendo um livro sobre o Engenheiros, que não é novidade ser minha banda nacional predileta, que vive em pé de guerra com The Doors para o primeiro lugar musical da minha vida. Estava aqui pensando em quanta coisa que li depois de ter conhecido Engenheiros, li muita coisa que o Humberto citou em suas letras e em seus dizeres por aí, cresci muito com essas leituras e sou muito grata a tudo isso. Eu poderia ter sido influenciada por outro tipo de musica, poderia estar dançando funk por aí loucamente, mas não, gosto mesmo de uma boa guitarra, Deus existe e ele me salvou no momento certo! Engenheiros foi uma das primeiras bandas que comecei a gostar, influencia de uma amiga que tive aos 12 anos de idade, ainda temos contato, mas não tanto como naquela época, sinto saudades de quando eu tinha medo do Jim Morrison e ela ria de mim. Adoro essa coisa de intertexto, o rock nos leva a isso, as letras são cheias de livros que estão cheios de livros e cheio de mais livros... O maior medo da minha vida é morrer sem ter lido pelo menos 80% do que planejo ler durante meus dias. Acho engraçado como nós, roqueiros somos vistos pela sociedade, como um bando de drogados burros, ignorantes, adoradores do diabo e bebados. Mais engraçado ainda é que os melhores papos que tive na vida foram com pessoas adeptas ao rock, são as que mais leem, as que mais produzem poesia, contos, romances... Nunca consegui ser muito abstrata com as pessoas que gostam de funk ou dessas coisinhas de moda que vejo por aí, a unica coisa que ouço com frequência deles é que eu sou doida e revoltada. Como se fosse anormal não se conformar com o mundo do jeito que ele tá, como se fosse anormal querer mudar o mundo, querer viver... Eu vivo numa prisão, seja de pensamentos ou de ações, venho de uma família careta, às vezes parece que todas as ações estão sendo coordenadas por alguém, um big brother ou algo assim, como se eu não pudesse pensar por mim mesma. É complicado. Mas voltando enfim ao incio, acho bacana ter me tornado quem me tornei através do rock, ter visto um mundo de possibilidades dentro de uma musica só. Existem horas em que queria ser burra, afinal sofreria menos, mas ir junto com a maré nunca foi meu feitio, sou assim desde pequenina, sou a fúria dentro de mim mesma, não ia rolar ficar por aí rebolando loucamente para um bando de macho que só quer saber de carne... Isso não...

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